Sociodrama de Casal e Familiar

Sociodrama de Casal e Familiar

16 de novembro 2013, Escola de Enfermagem, Santa Maria

com José Teixeira de Sousa e Maria Margarida Moita

Formação específica em Sociodrama

A formação em sociodrama distingue-se na Sociedade Portuguesa de Psicodrama, na versão implementada por José Soeiro, do psicodrama. Na herança de Moreno encontram-se três contributos, o psicodrama, o sociodrama e o axiodrama, e a sociometria. No psicodrama trabalha-se os papeis na relação do indivíduo com o mundo. No sociodrama trabalha-se a interação entre os papeis dos indivíduos.

Desse modo, os módulos role-playing, educação, institucional e o de família são comuns.

As características do sistema casal dá-se pela existência dum outro. O reconhecimento do outro assume uma globalidade. A relação de casal tem uma finalidade e concretiza-se num processo criado pela interação.

Pode-se analisar a relação de casal a partir da teoria dos sistemas A Terapia de casal começa a ser praticada nos EUA nos anos 50. A questão do que é um bom casal foi um ponto de partida. Estudar o casal, a relação de longa duração e ver como funcionava. Ao fim das primeiras investigações verificou-se que o critério tempo de duração não é uma condição para analisar o que é um bom casal. A noção de casal também varia em função das cultura. Na cultura ocidental há determinados atributos da relação de casal, tais como fidelidade, partilha) que se projetam no outro. A relação de casal não pode funciona r como uma projeção do outro.

Os critérios para a afirmação dum casal são:

  • Ambos exprimem satisfação
  • Ambos são capazes de enunciar fatores positivos que são reconhecidos pelo outro (discriminação positiva)

A terapia do casal torna-se necessário quando se perde a discriminação positiva. Quando os elementos negativos suplantam os fatores positivos emergem problemas.

Os problemas do casal podem residir na diferença de valores (o amor não é um modo de afirmar o casal) ou na dificuldade a afirmar uma grau de autonomia em relação à família de origem.

Na terapia do casal importa fazer o diagnóstico dos pontos positivos e negativos. O diagnóstico do casal tem como objetivo resolver os problemas entre os membros do casal. É um sociodrama porque trabalha a relação entre os membros. O jogo de análise permite identificar os prontos da relação.

É todavia importante, realizar uma primeira entrevista com cada membro do casal em separado. Esta também é uma característica do sociodrama de casal, dado que é importante que estejam presentes dois egos auxiliares.

O jogo de análise. Pegar numa folha de papel e escrever o que é o outro membro trás de bom para a minha vida. O que é que há de positivo na relação. É preciso fazer intuir a ligação à felicidade. É preciso aproveitar o momento do jogo para que cada afirme e reconheça o que é o outro e para pedir para fazer uma coisa que gostem de fazer juntos.

Fazer o jogo do namoro. O namoro é a fase do engano. Em que cada membro do casla procura fazer o papel complementar do outro. No casal, cada membro tem que encontrar o seu espaço de afirmação. O modelo de análise tem que ser diferente do da medicina (diagnóstico e prescrição). Cada membro tem que saber encontrar um caminho em comum.

A comunicação no casal

A comunicação no casal desenvolve-se em três níveis (ver teoria da comunicação). A comunicação simétrica (de competição ou entre irmãos), ascendente, de autoridade e descendente. Estas duas últimas são papeis complementares. No casl tem que existir este três modos de comunicação de forma equilibrada. Cada casal encontra um modloe próprio de relação que vai variando no tempo. Os processos de comunicação simétricos dão escalda na relação. Cada um tenta impor os seus pontos de vista. Por seu lado as relações complementares dão origem a uma certa rigidez na relação, dado que cada um complementa o outro. A rigidez sobressais quando a complementaridade não resulta dum balanço ascendente e descendente nos processos de comunicação em função de cada um dos momentos.

Quando emerge um problema deve ser abordado. O primeiro passo para o tratamento é o seu reconhecimento. Todos os problemas devem ser abordados no processo de sociodrama. Cada problema deve ser tratado e pode ter um desenlace. Algumas vezes os problemas são terminais, outras vezes permitem passar para um outro ponto de equilíbrio. A consciência do problema deve produzir um reconhecimento.

O problema da bola de cristal. É um modo de conduzir um jogo para reconhecer o sonho dos outros. Serve para saber o que é que o outro aceita fazer. Tentar saber tudo sobre o outro para fazer emergir um novo vínculo.

No sociodrama trabalha-se o vínculo: o papel na relação. Um papel é o processo através do qual o individuo se relaciona com o real. Num casal um papel de cada indivíduo confronta-se com o papel desenrolado pelo outro. Esse contacto criam os vínculos que correspondem a expectativas de satisfação. O vínculo é estabelecido através da tele, unidade mínima de relação onde se estabelece a sincronização.A dessincronização produz as quebras de vínculos. Uma perda substantiva de vínculos conduz à perda da satisfação na relação.

Na terapia de casal o Ego representa o papel complementar. Trabalha-se o vínculo. Os processos que ligam. O Sociodrama trabalha sobre os vínculos dos indivíduos. Os vinculo de cada um com o grupo. De certa forma, o casal não é um grupo, ao mesmo tempo que, entre os seus membros, se estabelecem algumas formas de relação (vínculos) característicos do grupo. Entre os membros do casal é permitido um elevado grau de intimidade e permite-se a reprodução. Na cultura ocidental o casal assume uma forma organiza o clã, o grupo retrito, tornando-se numa unidade.

O foco no grupo é característico do sociodrama. Através do grupo pode-se trabalhar qualquer questão. Por exemplo, em Livrono, em Itália trabalha-se de forma sociodramática os dramas da cidade. Em “Who shall survive” Moreno escreve os paradigmas da sua teoria. (a sociometria, a terapia de grupo e o psicodrama). De acordo com a teoria psicodrmática o diretor atua apenas com um facilitador do encontro. Do encontro do ser consigo mesmo, do sr com o mundo e com os outros. Atua como um mecânico que aperta ou desaperta porcas. Trabalha-se sobre a liberdade dum indivíduo.

A Estrutura do Sociodrama de Casal

Nas fases do sociodrama de casal não um aquecimento específico. Um casal já está aquecido. Muitas fezes até é necessário arrefecer para que se possa encontrar espaço de representação para os papeis. Há que ter em atenção que nas terapias de grupo está sempre presente uma tensão entre os seus membros- Há sempre alterações de contexto. Através da dramatização partilha-se com o outro. Pode-se aquecer e arrefecer através dos egos auxiliares e da aplicação das técnicas. O sociodrama é como uma auto-estrada. Através da representação pode-se entrar e sair dos contextos. A força da representação deriva de se trabalhar em simultâneo a razão e a emoção.

O que se passa no palco piscodrmático é um reflexo, O papel dum indivíduo é um refletor duma relação. No sócio drama cada indivíduo age como o refletor do seu vínculos. O protagonista é um vínculo. No sociodrama trabalham-se os vínculos.

A estrutura do sociodrama tem presente os cinco instrumentos do psicodrama e a diversa técnicas. Estas tem que ser usadas de forma adequada.

É recomendável a presença de dois egos. Ver módulo de Ego-Auxiliar.O ego está sempre em cena. No sociodrama tem que ter capacidade de fixação e de memorização.

Em princípio o tratamento em sociodrama de casa tem uma duração de cinco sessões. O objetivo do trabalho sociodramático é fazer com que o casal aumente o conhecimento sobre si próprio.

O processo de reconhecimento é em si próprio um processo de terapia. O pensar no problema emerge no ato de pensar. Agir com bom-senso é o papel de diretor na condução da sessão.

Compete ao diretor escolher o momento (presente, passado, futuro). Parte duma hipótese de investigação. Trabalhar sobre o outro. Tem que ter em atenção o equilíbrios entre os protagonistas e a questão do contacto físico. Deverá estar muito atento à postura física dos protagonistas. No sociodrama é tão importante o que se diz como o que se faz e como se faz.

A alteração do pensamento sequencial (ver a pragmática da comunicação humana) permite introduzir as questões relevante. Formular a questão é um passo.

Propor questões do passado permite dar uma ideia de como se construiu o presente, Dos mementos de tensão. Trabalhar as postura de cada um permite ver as diferentes forma de sentir e encontrar cicatrizes. Há que usar o potencial de solicitar que se façam estátua intermédias que ajudam a compreender o processo.

Para ajudar o casal a encontrar os fatores positivos é necessário propor alguma emulação. O jogo alternado de estátuas, ou colocar os panos como um palco ajuda a expressar os elementos positivos e negativos. Deve-se sempre trabalhar os aspetos positivos da relação.

Jogo da comparação

1º jogo – desenvolver a cooperação. Explorar através das mãos. Dançar com as mãos atrás das costas e procurar fazer com que o casal alcançe o objetivo de se colocar de frente sem desligar as mãoes. Este jogo permite que se crie algum contacto físico entre os membros.

2º jogo Tábua. Procurar um ponto de equilíbrio. Cada um deixa-se cair até encontrarem um ponto de equilíbrio. Ajuda a estimular a confiança no outro. Permite fazer uma análise do balanço e do equilíbrio.

O trabalho do diretor no jogo é dar o locus. Ajudar o protagonista e encontrar a matriz e fazer sobressair o statu nascendi da relação. Tudo é feito no sentido de ajudar o casal a compreender-se melhor.

Jogo do positivo-negativo. Para ajudar a encontrar pontos positivos.

Colocam-se 4 cadeiras de cada lado. Cada protagonista escreve, 4 coisas positivas e 4 coisas negativas que colocam nas cadeiras. Em cada uma das características, procura-se balancear entre o muito ou pouco positivo/negativo. Cada um apresente o seus pontos. No balanço do jogo pode-se identificar quais os pontos positivos e negativos, balancear entre eles, e encontrar as principais tensões existentes. Permite partir para uma drmatização. Sempre que haja interação entre os protagonistas, eles são chamados à cena.

Exercício para estimular a confiança. Jogo para encontrar o que é fundamental no casal. Coloca-se quatro cartões ou cores com intensidades diferentes o que é que cada um acha importante na relação sobre Afeto, sexo, confiança, dávida/satisfação. Pode-se ainda distinguir entre o que cada um achar que é importante (importância teórica) e o que tem na prática (importância real). O exercício permite um diagnóstico da relação e abre o cunjunto de questões a trabalhar dramaticamente.

O a distinção do fator teórico/pratico permite medir o desfasamento na relação. A comparação entre os dois protagonistas dá uma imagem das fraturas entre o casal. Uma imagem dos desfasamentos e dos pontos de contacto.

O modelo sociométrico pode ser usado como elemento de diagnóstico e pode ser usado nas sessões para procurar os emergentes. Quase sempre os temas dentro do casa são comuns.

Na estrutura do sociodrama á mais ação. O aquecimento com palavras não é tão necessário. A ação é a palavra de ordem. A procura da emoção e da ação é fundamental para o trabalho. O diretor de sociodrama atua como um tradutor. Está atento ao que o casal diz e ao que o casal faz, para proporá soluções que satisfaçam os membros do casal.

Jogo da sexualidade

Braço de Ferro. O punho é o corpo e a mão é o genital. Procurar o outro através do movimento. Procurar o sexo do outro. Através do tato toma-se o pulso à intimidade do protagonista. Pode-se usar um pano para proteger a pele e a intimidade do protagonista. Colocar um pano a meio ajuda a proteger o olhar e o pudor.

A partir do jogo pode-se usar a técnica do duplo ou do espelho para procurar os sentidos dos sentimentos.

Jogo do orgasmo. Usar um pano para representar a disponibilidade, o desejo o orgasmo e a resolução. Através da teoria do papel pode-se procurar como é que cada um se sente no papel e como é que cada um explora no momento. O jogo mostra a sincronia na intimidade.

O sociodrama de família

O sociodrama de família tem algumas particularidades. Teu um maior número de protagonistas. Todos têm que participar na dramatização. Numa situação de confronto ou conflito cada protagonista deve expressar uma posição. Cada papel deve estar associado a um vínculo. O corpo deve estar sempre em dinâmica

Ver livro de sociodrama de Ron Wielmer

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