Sociometria e Teste Sociométrico

SOCIOMETRIA E TESTE SOCIOMÉTRICO

 

Concepção J. L. Pio Abreu

 

INSTRUÇÕES

 

A sociometria (http://www.hoopandtree.org/sociometry.htm), que assenta sobretudo no teste sociométrico, foi proposta em 1934 por Jacob Levy Moreno e é, ainda hoje, um poderoso instrumento para a análise de grupos e intervenção sobre eles, permitindo uma rápida visualização das lideranças informais, estrutura e hierarquia do grupo, da existência de subgrupos, bem como a detecção de problemas em alguns dos seus membros (rejeitados, isolados, controversos, incoerência de escolhas ou percepções).

O teste sociométrico é muito fácil de executar, mas bem mais difícil de processar. Este último problema foi resolvido com os computadores, existindo agora vários programas online (Classroom Sociometricshttp://www.classroomsociometrics.com, SociometryPro http://www.sociometry.ru/eng/sociometry/sociometrypro.php, UCINET Cibertesthttp://www.ciclomuta.com.br/testes.htm) com este objectivo.

 

O presente programa – SOCIOM –  tem a mais valia de ser bastante flexível e adaptado a um número razoável de membros, sem restrições ao número de escolhas e permitindo várias opções, tanto na definição das escolhas como na execução do gráfico (sociograma). Basicamente, segue as propostas de George Bastin. Para além disso, permite o cálculo de vários índices, incluindo os índices télicos propostos por Bustos, bem como os índices de mutualidade, positiva e negativa, e de percepção, positiva e negativa, recentemente desenvolvidos por Pio Abreu e Cristina Villares, aos quais se juntam ainda os índices de Transparência.

Estes últimos índices não são interferidos pelo tamanho do grupo nem pelo estatuto sociométrico, permitindo a sua comparação no interior de vários grupos. Por tal razão, os autores admitem que eles possam revelar a patologia individual, susceptível de ser corrigida com técnicas grupais (psicodrama e sociodrama).

O programa tem uma versão livre, para ensaio e estudo, para um grupo até 5 membros.

 

  1. EXECUÇÃO DO TESTE SOCIOMÉTRICO

Um teste sociométrico faz-se a um grupo fechado com um número de elementos definidos. Na altura da execução do teste têm de estar todos presentes, sendo cada um dos elementos definido pelo seu nome (evitando repetições de nomes). Admite-se a possibilidade de fazer o teste individualmente, a cada um dos membros, mas ele deve saber qual é o universo dos elementos do grupo sobre o qual se faz o teste. Todos os membros desse grupo devem ser inquiridos.

Sugerimos que se entregue a cada elemento uma folha de papel, no cimo da qual cada um escreve o seu nome. Depois define-se uma tarefa que implique que cada um tenha de escolher certos companheiros (de entre o grupo) para ficarem consigo, podendo excluir outros. Não é necessário limite para as escolhas ou recusas, pelo que o número de companheiros pode ficar em aberto1 (pode ser 1, podem ser 5 ou 10, mas também se pode admitir que alguns queiram ficar sozinhos).

Pede-se então para escreverem no início da folha uma lista dos nomes que escolhem para ficar com eles. Depois fazem um traço e escrevem a lista dos nomes que não escolheriam.

Pede-se depois para virar a folha e, por detrás, escrevem em primeiro lugar os nomes daqueles que eles supõem que os escolheram. Depois fazem um traço e escrevem os nomes daqueles que imaginam que os rejeitaram.

Depois disso recolhem-se as folhas e verifica-se se todas estão correctas (nome próprio em primeiro lugar (verificar se não existem nomes iguais para membros diferentes ou nomes diferentes para o mesmo membro), depois lista ordenada das preferências, traço e lista de recusas; no verso devem estar também claras as listas daqueles que supostamente o escolheram e daqueles que supostamente o recusaram. Algumas destas listas podem não conter nenhum nome mas, para que isso seja claro, deve existir um traço para que se perceba qual é a lista vazia. Quando se dizem todos eles, deve-se pedir para escrever os seus nomes, a fim de os ordenar (a ordenação é relevante para as escolhas e rejeições, pelo menos até ao 4º nome).

Durante este processo, os elementos do grupo podem tomar contacto visual com os seus colegas, mas devem-se evitar sinais ostensivos de combinação. É necessário que a cada um corresponda um só nome (distinguindo, por exemplo com um segundo nome, aqueles que tenham o mesmo nome próprio) pelo que, antes do teste, há vantagem em nomear cada um dos elementos.

Existem diversas variantes deste teste. Por exemplo, a maior parte dos investigadores não regista as percepções. Outros limitam as escolhas a um dado número, que pode ser obrigatório ou não, com justificação ou sem ela. Qualquer uma destas alternativas pode ser usada com o presente programa.

 

  1. CODIFICAÇÃO DOS DADOS

Por defeito, o programa define os membros pelas letras do alfabeto. O utilizador pode, entretanto, substituí-las pelo nome (ou iniciais do nome). A referência à letra escolhida por defeito vai permanecer nas tabelas para a definição das escolhas. Também é a letra original que se tomará como referência para a execução dos dados individuais e para o sociograma.

 

Assim, por exemplo, ficaremos com os seguintes dados para introduzir no computador:

  • A escolhe D, seguido de C; rejeita apenas B. Pensa que é escolhido por B, C e D (a ordenação das percepções é irrelevante para efeitos do programa) e que ninguém o rejeita.
  • B escolhe C, D E e A. Não rejeita ninguém e acha que C e D o escolheram e E o rejeitou.
  • C escolhe D e B; não rejeita ninguém, supondo que D o escolheu e ninguém o rejeitou.
  • D escolhe A e B, e rejeita E. Pensa que é escolhido por B e C, e rejeitado por E.
  • E escolhe C, B e A. Rejeita D e pensa-se escolhido por B e rejeitado por D.

(Note-se que B escolheu todos (e, portanto, não rejeitou ninguém), mas as suas preferências estão ordenadas).

 

  1. INTRODUÇÃO DOS DADOS NO PROGRAMA

Tendo estes dados, pode-se fazer a sua introdução no programa. É preciso dar um nome ao grupo (a que se pode juntar uma alusão ao critério sociométrico, pois cada grupo pode ser estudado de acordo com vários critérios) e indicar o número de membros. Em alternativa, podem-se procurar os dados de um grupo já introduzido e gravado. Para um número superior a 5 membros é também necessária uma password. Até 5 membros, o programa é livre. Neste caso clica-se em “Trial Version”.

Clica-se a seguir em “table of names” e aparece um quadro que define os nomes por letras em ordem alfabética. Podem escrever-se os nomes verdadeiros, mas a ordem pré-definida por letras vai manter-se. Clica-se depois em “Table of preferences/rejections” e aparece um primeiro quadro, com a enumeração de todos os membros e a possibilidade de definir as escolhas ou rejeições de cada um. A ordem está definida até Á 5º escolha, mas podem existir mais escolhas. Neste caso, ao marcar as várias escolhas a partir da 5ª, deve-se carregar simultaneamente na tecla Ctrl. Os dados não ficam visíveis na tabela (embora se possam percorrer) mas entram no programa. A partir da 5ª escolha, a hierarquização é irrelevante.

A seguir procede-se do mesmo modo para a tabela de percepções. Muitos sociometristas não avaliam as percepções. Neste programa, pode-se deixar esta tabela em branco, o que é irrelevante para a execução do gráfico (sociograma). Nos dados individuais, os valores respectivos ficarão, neste caso, em branco, mas ficam, naturalmente, prejudicados os índices de percepção.

Os dados podem ser corrigidos. Quando se calcular a matriz (passo seguinte), o programa avisa automaticamente as escolhas impossíveis (escolha de si próprio ou preferência e rejeição do mesmo membro), permitindo a sua correcção. Os dados devem ser salvos (guardados) só depois deste cálculo.

 

  1. CÁLCULO DA MATRIZ SOCIOMÉTRICA

Clicando em “calculate” aparece a matriz sociométrica. A tabela central é quadrada (a diagonal fica em zero, mas não se considera para qualquer cálculo) e condensa toda a informação do teste sociométrico.

Os restantes valores a 0 indicam neutralidade ou indiferença (nem escolhidos nem rejeitados). Nesta tabela, as escolhas ficam assinaladas com um número positivo e as rejeições com um número negativo, tendo a primeira o valor 5, a segunda 4… até à quinta e seguintes, com o valor 1. Os emissores de escolhas estão no eixo Y e os destinatários no eixo X. As percepções aparecem na tabela com uma de duas letras: p, indicando que aquela emissão foi percebida pelo destinatário como preferência, e r, assinalando que foi percebida como rejeição.

 

Por debaixo da tabela central estão os valores que, para cada membro, podem ser contados na vertical:

  • rp (received preferences) – o número de preferências recebido por cada membro, importantes para a definição do etatuto.
  • rr (received rejections) – o número de rejeições recebidas por cada membro, igualmente importantes para a definição do estatuto.
  • pp (perceived preferences – o número de preferências que cada membro supôs receber:
  • cpp (correct perceived preferences) – as percepções de preferências que acertaram:
  • ipp (inverse perceived preferences) – as percepções de preferências dirigidas a membros que o rejeitaram.
  • pr (perceived rejections) – o número de rejeições que cada membro supôs receber.
  • cpr (correct perceived rejections) – as percepções de rejeições que acertaram
  • ipr (inverse perceived rejections) – as percepções de rejeições dirigidas a membros que o preferiram:
  • pv (preferences value) – a soma ponderada das preferências recebidas, importante para definir os líderes (maiores valores de pv)
  • rv (rejections value) – a soma ponderada das rejeições recebidas.
  • Impact – a soma do número de preferências e de rejeições recebidas, importante para definir o estatuto de controverso.

 

À direita da matriz também se apresentam os valores que podem ser contados na horizontal:

  • ep (emitted preferences) – o número de peferências emitidas por cada membro.
  • mp (mutual preferences) – o número de preferências que correspondem a preferências recebidas;
  • imp (inverse mutual preferences) – o número de preferências que correspondem a rejeições recebidas;
  • er (emitted rejections) – o número de rejeições emitidas;
  • mr (mutual rejections) – o número de rejeições que correspondem a rejeições recebidas;
  • imr (inverse mutual rejections) – o número de rejeições que correspondem a preferências recebidas.

 

A seguir à matriz encontra-se uma nova tabela com a listagem das médias, desvio padrão, limite inferior e limite superior (correspondendo a uma probabilidade de acaso inferior a 0,05) dos seguintes dados:

ep (emitted preferences)

er (emitted rejections)

Impact (ep + er)

pp (perception of preferences)

pr (perception of rejectins)

Estes dados são relevantes para a atribuição do estatuto sociométrico (popular,rejeitado, médio, negligenciado ou controverso) de cada membro do grupo.

 

Nota: Depois de visualizada a matriz, devem-se guardar os dados. Para isso, clicar em “Save File”; aparece uma nova folha onde se deve clicar Download; finalmente, na caixa de diálogo clicar “Guardar” e procurar uma pasta adequada no seu disco. Em futuras sessões de trabalho com os mesmos dados, pode sempre recorrer aos dados que ficaram gravados no seu disco.

 

  1. DESENHO DO SOCIOGRAMA

O teste sociométrico é mais conhecido pelo gráfico que permite visualizar as relações internas do grupo. Este gráfico desenha-se automaticamente ao carregar na tecla Draw da tabela inferior. No entanto é necessário definir primeiro as opções, previstas na mesma tabela. Assim:

Em Preferences pede-se para definir o nível das primeiras escolhas de preferências que aparecerão com uma seta dirigida ao seu receptor. Aconselha-se o nível 1, para que apareçam com a seta apenas as primeiras escolhas (no nível 2 aparecerão as primeiras e segundas, etc.).

Em Rejections pede-se para definir o nível das primeiras rejeições que aparecerão com uma bola vermelha dirigida ao seu receptor. Aconselha-se o nível 1, para que apareçam com a seta apenas as primeiras rejeições (no nível 2 aparecerão as primeiras e segundas, etc.).

Em Mutual Preferences pede-se para definir o nível até ao qual aparecerão as escolhas recíprocas ligadas por um traço negro. Aconselha-se geralmente o nível 3, que indica que os membros aparecerão ligados se cada um deles colocou o outro numa das suas 3 primeiras preferências.

Em Mutual Rejections pede-se para definir o nível até ao qual aparecerão as rejeições recíprocas ligadas por um traço vermelho. Aconselha-se geralmente o nível 3, que indica que os membros aparecerão ligados se cada um deles colocou o outro numa das suas 3 primeiras rejeições.

 

O utilizador pode verificar que o gráfico se tornará tanto mais complicado quanto mais amplos forem os níveis das escolhas. Porém, estas podem ser mudadas a qualquer momento, podendo-se executar sociogramas só de preferências ou só de rejeições, de primeiras escolhas em qualquer nível, de mutualidades em qualquer nível, ou ainda de combinação entre estas.

Para simplificar a visualização do gráfico, também se pode mudar a colocação de cada membro, assinalado pelas letras do alfabeto. Para isso, clica-se sobre o membro a mudar de posicionamento (espera-se a ligação ao servidor), e a seguir clica-se na nova posição.

Finalmente, a barra inferior permite alterar a cor de cada membro, com 4 opções. Este procedimento é especialmente útil para sinalizar os membros masculinos ou femininos do grupo, mas pode ter outras aplicações à escolha do utilizador.

Deve-se avisar que cada modificação do gráfico é executada no servidor, pelo que se tem de aguardar a ligação e devolução da modificação. Logo que as posições e cores do gráfico sejam satisfatórias, aconselha-se a gravação a fim de evitar de novo o trabalho de alteração.

 

 

6.DADOS INDIVIDUAIS

O programa permite ainda a análise de cada membro individualmente. Na caixa Member Data escolhe-se o indivíduo a analisar (é preciso esperar um pouco pela ligação à rede) e clica-se em Show Data. O programa abre uma nova folha para cada membro analisado, a fim de que se possa guardar e/ou imprimir à parte.

 

NOTA: Sempre que se queira imprimir uma destas folhas, incluindo a da matriz e sociograma, aconselha-se o uso de uma folha A4 na posição horizontal, a fim de que não se perca a impressão dos dados à direita da folha. O utilizador pode também imprimir em ADOBE (.pdf), tendo também o cuidado de escolher a folha A4 horizontal.

 

Numa primeira tabela aparecem vários dados relativos a este indivíduo, que o definem e são usados para os outros cálculos (índices sociométricos). Alguns destes dados apareceram também na matriz sociométrica. Temos assim:

  • O nome atribuído ao membro.
  • pv (preferences value) a soma ponderada das preferências recebidas (uma primeira preferência tem o valor de 5, a segunda 4… até à quinta e seguintes que têm o valor de 1).
  • rv (rejections value) a soma ponderada das rejeições recebidas (uma primeira rejeição tem o valor de 5, a segunda 4… até à quinta e seguintes que têm o valor de 1).
  • Impact (pr + rr) a soma das preferências e rejeições recebidas.
  • mp (mutual preferences) o número de preferências emitidas que correspondem a preferências recebidas.
  • mr (mutual rejections) o número de rejeições emitidas que correspondem a rejeições recebidas
  • mn  (mutual neutral) o número de escolhas não emitidas que não correspondem a qualquer preferência ou rejeição recebida.
  • cp (correct perception of preferences) o número de percepções de preferências emitidas que correspondem a escolhas reais por parte dos destinatários.
  • cr (correct perception of rejections) o número de percepções de rejeiçoes que correspondem a rejeições reais por parte dos destinatários.
  • cn (correct perception of netrals) o número de percepções que, não sendo emitidas, também não correspondem a qualquer escolha por parte dos destinatários.
  • imp (inverse mutual preferences) o número de preferências emitidas que correspondem a rejeições por parte dos destinatários.
  • imr (inverse mutual rejections) o número de rejeições emitidas que correspondem a preferências por parte dos destinatários.
  • ipp (inverse perception of preferences) o número de percepções de preferências emitidas que correspondem a rejeições por parte dos destinatários.
  • ipr (inverse perception of  rejections) o número de percepções de rejeições emitidas que correspondem a preferências por parte dos destinatários.
  • epp (emitted preferences perceived) o número de preferências emitidas que foram adequadamente percebidas pelos destinatários.
  • erp (emitted rejections perceived) o número de rejeições emitidas que foram adequadamente percebidas pelos destinatários.
  • enp (emitted neutrals perceived) o número de não escolhas que não foram percebidas como escolha (preferência ou rejeição) pelos destinatários.

 

À esquerda apresenta-se um círculo, inspirado em George Bastin, que condensa o número de escolhas, recebidas (quadrantes direitos) e emitidas (quadrantes esquerdos). Os quadrantes superiores mostram as escolhas positivas, os inferiores mostram as escolhas negativas. Os topos representam as escolhas reais, nos quadrantes médios estão as virtuais (percepções). Todos os resultados superiores aos limites para a probabilidade de acaso inferior a 0,05 têm uma cor acentuada. Os que apresentam resultados inferiores aos limites para p<0,05 mostram uma cor esbatida. Os dados apresentam-se, assim, na seguinte ordem:

 

            emitted preferences received preferences

perceived preferences emitted     perceived preferences received

 perceived rejections emitted     perceived rejections received

             emitted rejections received rejections

 

Ou, numa notação mais usual:

 

    ep | rp                                

 ppe   |   ppr       (pref)               

 ——|——   <———–<

 pre   |   prr       (rej.)               

    er | rr

 

No centro da folha mostra-se o estatuto sociométrico do membro em análise. Estes estatutos baseiam-se nas probabilidades binomiais2 e são definidos do modo seguinte:

 

  • POPULAR se p(rp)<0,05, excedendo o limite superior
  • AVERAGE se p(rp)>=0,05 e p(rr)>=0,05.
  • REJECTED se p(rr)<0,05 excedendo o limite superior
  • NEGLECTED se p(Impacto)<0,05 abaixo do limite inferior.
  • CONTROVERSIAL se p(Impacto)<0,05 excedendo o limite superior e se rp > à média de rp, e rr > à média de rr.

 

À direita da folha mostram-se os índices télicos que foram calculados para este membro. Todos estes índices variam de 0 a 100 e estão agrupados segundo os seus proponentes.

 

Os primeiros índices foram propostos por Bustos (1977). Embora não se possam comparar entre vários grupos (devido ao peso das indiferenças que tendem a aumentar os índices nos grupos maiores), podem-se comparar dentro de um mesmo grupo e também entre si (por exemplo, comparar o índice de percepção com o de emissão, ou destes com o índice de relação directa). São assim definidos:

  • iRD (índice de relação directa) – a percentagem de emissões (incluindo preferências, rejeições e indiferenças) que são mútuas [(mp+mr+mn)/(n-1)].
  • iP (índice de percepção) – a percentagem de percepções (incluindo positivas, negativas e indiferentes) que são adequadas [(cp+cr+pnc)/(n-1)].
  • iE (índice de emissão) – a percentagem de escolhas (preferências, rejeições e indiferenças) que são adequadamente percebidas polos membros a quem se dirigem [(emp/(n-1)].
  • iTe (índice télico) – a média do índice de percepção nais índice de emissão.

 

Os índices propostos por Pio Abreu e Cristina Vilares baseiam-se no cálculo das probabilidades binomiais, mas são mais difíceis de calcular. No entanto, não são influenciados pelo estatuto sociométrico nem pelo tamanho do grupo, podendo-se então comparar mesmo no interior de grupos diferentes.

 

Temos assim:

 

  • cMP: índice (composto) de Mutualidade Positiva3 – correspondente à adequação (o indivíduo tende a preferir quem o prefere) ou inadequação (o indivíduo tende a preferir quem o rejeita) das preferências reais emitidas.
  • cMN: índice (composto) de Mutualidade Negativa – correspondente à adequação (o indivíduo tende a rejeitar quem o rejeita) ou inadequação (o indivíduo tende a rejeitar quem o prefere) das rejeições reais emitidas.
  • cPP: índice (composto) de Percepção Positiva – correspondente à percepção adequada (o indivíduo pensa que é preferido por quem realmente o prefere) ou inadequada (o indivíduo pensa que é preferido por quem na verdade o rejeita) das escolhas positivas.
  • cPN: índice (composto) de Percepção Negativa – correspondente à percepção adequada (o indivíduo pensa que é rejeitado por quem realmente o rejeita) ou inadequada (o indivíduo pensa que é rejeitado por quem na verdade o prefere) das escolhas negativas.
  • cTP: índice4 (composto) de Transparência Positiva – corresponde ao facto de as preferências emitidas serem adequadamente percebidas (como preferências e não como rejeições) pelos membros a quem se dirigem.
  • cTP: índice (composto) de Transparência Negativa – corresponde ao facto de as rejeições enviadas serem adequadamente percebidas (como rejeições e não como preferências) pelos destinatários.

 

Todos estes índices são comparáveis entre si, entre os diversos indivíduos, e entre cada indivíduo pertencente a diversos grupos, já que se encontram padronizados para uma escala de 0 (o mínimo de sensibilidade télica) até 100 (o máximo de sensibilidade télica). De acordo com os valores já estudados em populações reais (Pio-Abreu e Villares-Oliveira, 2005), podem-se considerar dentro da média os valores de 40 a 80, enquanto que valores iguais ou inferiores a 39 revelam aptidões télicas deficientes, e os iguais ou superiores a 81 revelam uma excepcional capacidade télica.

 

A aplicação destes índices a casos difíceis ou psicopatológicos, bem como a sua mudança por procedimentos psicodramáticos ou psicoterapêuticos, tem sido apontada, mas mantem-se aberta à investigação (Bustos, 1979; Villares-Oliveira, 1999; Pio Abreu e Villares-Oliveira, 2001).

 

BIBLIOGRAFIA

 

Bahn, A. K. (1972) – Basic medical statistics. New York: Grune & Stratton.

Bastin, G. (1966). Les techniques sociometriques. Paris: P.U.F. Portuguese translation: As técnicas sociométricas. Lisboa: Livraria Morais Editora.

Bustos, D. M. (1979). O teste sociométrico: fundamentos, técnica e aplicação. São Paulo: Ed. Brasiliense.

Moreno, J. L. (1954). Who shall survive? New York: Beacon House Inc. Spanish Translation: Fundamentos de la sociometria. Buenos Aires: Ed. Paidos.

Newcomb, A. T., Bukowski, W. M., Pattee, L. (1993). Children’s peer relations: A meta-analytic review of popular, rejected, neglected, controversial, and average sociometric status. Psychological Bulletin, 113: 99-128.

Pio-Abreu, J. L., Villares-Oliveira, C. (2005). On Measuring Tele. Preprint.

Villares-Oliveira, C. (1999). Os jovens e os seus pares: Estudo sociométrico e psicopatológico de uma população escolar. Coimbra: Tese de Doutoramento.

 

NOTA: Perante qualquer dúvida, enviar um email a pioabreu@netcabo.pt  Cc: jaimedovale@mail.telepac.pt.

 

 

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