A Pragmática da Comunicação Humana

WATZLAWICK, Paul, Beaum, Janet Helmeck, e Jackson, Don D. (1967) Pragmática da comunicação humana, São Paulo, Culturix,  263 paginapragmatica-da-comunicacao-humana-watzlawick-paul-8531603145_300x300-PU6e74fb7a_1

Paul Watzlawick (Villach, 25 de Julho de 1921 — Palo Alto, 31 de Março de 2007) foi um dos mais notáveis teóricos da Teoria da Comunicação e tem importantes trabalhos ao nível das terapias familiares e na psicoterapia. É um dos fundadores da Mental Research Institute de Palo Alto (Califórnia).

Em 1960, Don D. Jackson convidou-o a ser um dos fundadores do Mental Research Institute of Palo Alto Vida e obra: Depois de ter completado os estudos fundamentais na Austria, Paul Watzlawick continuou os seus estudos na Universidade de Veneza, onde estudou Psicologia e Filologia, tendo terminado os seus estudos em 1949. De seguida trabalhou em Zurique com Carl Gustav Jung. Em 1957 continuou o seu trabalho de investigação na Universidade de El Salvador.

Em Palo Alto, Watzlawick e os seus colegas desenvolveram a teoria do double bind mas o seu grande trabalho foi ao nível da teoria da comunicação, trabalho esse desenvolvido em parceria com.

Segundo Watzlawick, existem 5 axiomas na sua teoria da comunicação entre dois indíviduos. Se um destes axiomas por alguma razão não funcionar, a comunicação pode falhar.

  • É impossivel não se comunicar: Todo o comportamento é uma forma de comunicação. Como não existe forma contrária ao comportamento (“não-comportamento” ou “anticomportamento”), também não existe “não-comunicação”. Então, é impossível não se comunicar.
  • Toda a comunicação tem um aspecto de conteúdo e um aspecto de relação: Isto significa que toda a comunicação tem, além do significado das palavras, mais informações. Essas informações são a forma do comunicador dar a entender a relação que tem com o receptor da informação.
  • A natureza de uma relação está dependente da pontuação das sequências comunicacionais entre os comunicantes: Tanto o emissor como o receptor da comunicação estruturam essa comunicação de forma diferente, e dessa forma interpretam o seu próprio comportamento durante a comunicação dependendo da reacção do outro.
  • Os seres humanos comunicam de forma digital e analógica: Para além das próprias palavras, e do que é dito (comunicação digital), a forma como é dito (a linguagem corporal, a gestão dos silêncios, as onomatopeias) também desempenham uma enorme importância – comunicação analógica.
  • As permutas comunicacionais são simétricas ou complementares, segundo se baseiem na igualdade ou na diferença.

O Trabalho de  Gregory Bateson

(Grantchester, Inglaterra, 9 de maio de 1904 — São Francisco, Califórnia, 4 de julho de 1980) foi biólogo e antropólogo por formação. Contudo, como grande pensador sistêmico e epistemólogo da comunicação, incorreu também pela psiquiatria, psicologia, sociologia, lingüística, ecologia e cibernética. Seu pai William Bateson (1861-1926), biólogo inglês conhecido como o pai da genética, foi quem usou pela primeira vez na história da humanidade o termo genética para descrever o estudo da variação e hereditariedade, em 1905 – um ano depois de Gregory nascer. Gregory nasceu britânico em 1904, mas naturalizou-se norte-americano em 1956. Casou-se pela primeira vez com Margaret Mead (1901-1978) para separaram-se em 1951, guardando todavia admiração recíproca e cumplicidade intelectual até suas mortes, ambas de câncer.

Gregory Bateson estudou zoologia em Londres e biologia em Cambridge. Combinou estes dois campos de estudos em suas primeiras experiências antropológicas de trabalho de campo com os nativos da Nova Guiné e da Ilha de Bali. A partir da Nova Guiné, escreveu o livro Naven: a Survey of the Problems Suggestes by a Composite Picture of the Culture of a New Guinea Tribe Drawn from Three Points of View (1936). A partir de Bali (de março de 1936 até 1939), e junto com Margaret Mead, resultou o livro Balinese Character – A Photographic Analysis, que tornou-se mítico por estar à frente de seu tempo. Nesta época da sua publicação ainda não se discutia verdadeiramente as questões epistemológicas e heurísticas que os diversos suportes comunicacionais verbais (fala, escrita) e visuais (desenhos, pinturas) poderiam explorar juntamente, respeitando os termos de suas singularidades e complementaridades sígnicas.

Já neste momento de sua obra, Bateson esboçava aspectos do que viria a ser o cerne de sua obra – a comunicação. Analisando antropologicamente aspectos culturais desta tribo, Bateson observou dois tipos de relações que determinariam as dinâmicas sociais: relações simétricas e relações complementares.

As relações simétricas seriam aquelas nas quais os grupos ou indivíduos comunicantes compartilham anseios, aspirações, expectativas e modelos comuns e, por este motivo, colocam-se em posições antagônicas, buscando então, formas simétricas de relação.

Já as relações complementares seriam constituídas quando as aspirações dos grupos ou indivíduos comunicantes são fundamentalmente diferentes, e, portanto, a submissão de uns constitui uma resposta à dominação de outros. Para Bateson, tanto as relações simétricas quanto as complementares precisam ser trabalhadas socialmente para evitar a cismogênese.

Escola de Palo Alto

Nos Estados Unidos, Califórnia, Bateson uniu-se ao grupo da chamada Escola de Palo Alto (conhecida como o Colégio Invisível) e ao Mental Research Institute (MRI). A partir desta experiência, foi publicado em 1981 o livro La Nouvelle Communication, com várias reedições desde então. Na primeira parte, é feita uma apresentação geral e histórica da eclosão da Escola de Palo Alto, descrevendo seus componentes e sintetizando os principais empreendimentos. Na segunda parte do livro, Yves Winkin oferece, para cada dos integrantes do Colégio Invisível, um texto representativo do pensamento de cada um dos autores, seguido de uma entrevista com eles – Bateson, Ray L. Birdwhistell, Erving Goffman,

Edward T. Hall, Donald deAvila Jackson, Albert E. Scheflen, Stuart Sigman e Paul Watzlawick, todos antropólogos ou psiquiatras.

[acy Conferences

Entre os anos de 1946 e 1953, Gregory Bateson integrou o grupo reunido sob o nome de Macy Conferences, contribuindo para a consolidação da teoria cibernética junto com outros cientistas renomados: Arturo Rosenblueth, Heinz von Foerster, John von Neumann, Julian Bigelow, Kurt Lewin, Lawrence Kubie, Lawrence K. Frank, Leonard J. Savage, Molly Harrower, Norbert Wiener, Paul Lazarsfeld, Ralph W. Gerard, Walter Pitts, Warren McCulloch e William Ross Ashby; além de Claude Shannon, Erik Erikson, Max Delbrück e a própria Margaret Mead.

Teoria do Duplo Vínculo

Desenvolveu uma atenção especial às relações entre esquizofrenia e comunicação, que originou a Teoria do Duplo Vínculo (Double Bind). Em suas pesquisas sobre as interações humanas, a partir da investigação das formas animais de comunicação, como em estudos de caráter ecológico e etnográfico, sua preocupação era sempre epistemológica. Uma discussão aprofundada deste conceito pode ser encontrada no livro A pragmática da comunicação humana, escrito por Paul Watzlawick, Janet Helmick Beavin e Don D. Jackson, colegas de Bateson na Escola de Palo Alto.

Para que haja o duplo vínculo, são necessários cinco fatores:

  • Duas ou mais pessoas envolvidas emocionalmente. Geralmente com uma delas sofrendo mais e somatizando esse sofrimento.
  • Experiências repetidas. O duplo vínculo não é resultado de apenas um evento traumático, mas sim de uma relação recorrente que caracterize o relacionamento e forme expectativas habituais.
  • Comportamento prejudicial primário. Geralmente as punições feitas por quem possuir mais poder nesse relacionamento para controlar quem possui menos poder. Esse comportamento frequentemente é o que define a relação ao invés das recompensas. A punição pode ser a perda do amor, expressões de raiva e agressividade ou mesmo a expressão de extrema decepção.
  • Comportamento prejudicial secundário contradizendo o primário. Geralmente feita não-verbalmente e por muito mais difícil de ser percebida. Nela se nega os efeitos negativos do comportamento prejudicial primário. Exemplos de verbalizações podem ser: “Eu não quero te machucar, é para seu próprio bem”, “Não questione meu amor por você”, “Não me trate como vilão nessa história”…
  • Impossibilidade de escapar. Pode ser um laço familiar, a pressão social para manter um casamento ou questões financeiras, mas eles também podem ser promessas de amor ou uma regra culturalmente estabelecida. Dificilmente a vítima está disposta a recorrer judicialmente para sair dessa situação e em muitos casos ela nem conhece essa possibilidade.

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