XIII Congresso – Tão perto e tão longe

13º Congresso de Psicodrama, Baião – 18-20 de novembro

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas ninguém chama de violentas as margens que o aprisionam (Bertold Brecht)

“Ponto de Partida e Ponto de Retorno”

Conferência de Alfredo Soeiro

O Psicodrama trabalha a Espontaneidade, que se pode definir como a capacidade de criar respostas. Respostas que devem ser adequadas à situação.

No Psicodrama usamos a dramatização como exercício ou treino de respostas adequadas. No entanto a técnica do psicodrama não é um produto que deva ser entendido como um monopólio. Embora as suas técnicas estejam bem definidas por moreno, o psicodrama pode e deve dialogar com outras técnicas. Como “tudo vale mas nada deve ser imposto”.

Um outro elemento central na teoria do psicodrama é a “teoria do papel”. O psicodrama desenvolve a capacidade de jogar, de treinar um papel. As cadeiras vazias, as duas cadeiras são símbolos do lugar. A simbologia do lugar onde estamos e da nossas capacidade de trocar de lugar.

Moreno doi tembém um percursor das neurociências, com o seu conceito de Tele. A tele representa a dinâmica das interelacoes da mente. A mente efetuas, como um espelho, a representação das interpelações nos grupos

A microssociologia hoje defende que é necessário analisar as relações entre os grupos. Não há uma possibilidade, com os atuais instrumentos teóricos, uma capacidade de criar uma ciência, ou melhor uma teoria social total. Há no entanto a possibilidade de trabalhar uma microssociologia, (uma microssociologia pública) a partir da criação da liberdade como movimento entre grupos. As teorias dos papéis moreniano fornecem uma boar teoria para o comportamento. Os papeis psicossomáticos, os papeis psicodramáticos e os papeis sociais, que o Moreno propões partem do reconhecimento do eu e propõem um caminhos para o reconhecimento do outro. Um caminho para a criação da intersubjectividade. Fornecem uma lugar para o físico, para o psíquico.

Moreno teve certamente conhecimento dos trabalhos de Martin Buber [1], de Henri Bergson[2] e da Fenomenologia de Husserl[3] . A intersubjetividade é a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro.

Intersubjectividade. A capacidade de nos colocarmos no lugar dos outros. O Psicodrama é percursor das diversas terapias de grupo. Um caso revelador dessa génese é o seu envolvimento em inúmeros processo de inovação, como por exemplo a danço terapia que se iniciou nos anso 50 com Marian Chace[4] ou os trabalhos sobre os Escutomas[5] que estão presentes em todos os seres vivos, que corresponde a um campo de escuridão.

Psicodrama Transgeracional com Manuela Maciel

Psicodrama transgeracional tem por base trabalhos da psicologia de Anne Schultzenberger[6] e Pierre Weill[7].  Tem como objetivo identificar os legados familiares positivos e os legados indesejados. Há traumas familiares que podem perpetuar-se em 7 gerações. Traumas que dão origem a discriminacão de afetos, a exclusões de gerações ou indivíduos ou a lealdades inconscientes.

O psocodrama transgeracional procura entender a rede sociometrica na família. Reconstruir a tele da família através da sua psicogenealogia. Trabalha com o genograma.

Psicogenealogia

Genograma.

  • Lealdades invisíveis
  • Sindroma do aniversaria
  • Segredos de família
  • Reparacao da justiça
  • Criança de substituição
  • Triangulaçoes

Metodos

Genosociograma. Atmo familiar

Auxiliares incognitos. Psicodrama.

Auxiliar incógnito.

Assuntos inacabados.

 

Psicodrama familiar

  • Encontro com familiar.
  • Criar personagens de identidade.
  • Círculo e cadeira como reconhecimento de si.
  • Sobra saudade.
  • Lealdade inconsciente.
  • Começar pelos antepassados positivos.
  • Criar laços. Perguntar o que vale a pena levar e vale a pena deixar.
  • A psique não distingue a realidade da imaginação.
  • Também temos a aprender com as gerações futuras.

Teatro do espontâneo

Iniciando o aquecimento, percorrendo a sala, ocupando o espaço. Fromação duma roda e inicia-se uma história. Cada participante contribui com uma ação.

Selecionam-se as personagens e desenvolve-se a ação com o uso das técnicas psicodramáticas.

O Teatro do espontâneo e o teatro da memória como oficina de museologia.

Encontros e Desperdícios de Milton Nascimento[8].

Mande notícia do mundo de lá,

diz quem fica.

Me dê um abraço, venha-me apertar.

Tô chegando.

Coisa que gosto é poder partir,

melhor ainda é poder voltar

quando quero

 

Todos os dias é um vai-e-vem

A vida se repete na estação

Tem gente que chega para ficar

Tem gente que vai para nunca mais

Tem gente que vem e quer voltar

Tem gente que vai e quer ficar

Tem gente que veio só olhar

Tem gente a sorrir e a chorar

E assim, chegar e partir

 

São só dois lados

Da mesma viagem

O trem que chega

É o mesmo trem de partida

A hora do encontro

É também a da despedida

A plataforma desta estação

É a vida desse meu lugar

É a vida desse meu lugar

É a vida

O Mito no Psicodrama

O mito como uma cosmovisão. A construção do pensamento mítico como arquétipo. O pensamento selvagem não faz dissociação entre o bom e o mau. O pensamento mítico criar categorias. O pensamento racional dissocia do homem da natureza.

O trabalho com os mitos permite trabalhar os limites no aqui e agora. Trabalho com os mitos de Lilite e Eva, o mito de Orfeu com Eurípedes

O Pensamento selvagem (La pensée sauvage, 1962) do antropólogo Claude Lévi-Strauss, um estudo estruturalista sobre os povos ditos primitivos. Segundo Levi-Strauss, o pensamento selvagem é uma operação mental, um modo de conhecimento, diferente da cosmovisão ocidental. Trata-se duma forma de pensamento em que se verifica uma ausência de categorização que permite relacional duas variáveis independentes (a formulação do acaso). Ao pensamento selvagem sucede o pensamento mítico, em que a categorização é possível, dando origem à possibilidade de ordenamento causal.

O pensamento mítico não são apenas histórias fabulosas, são processos de organização mental operadas a partir da experiencia sensível, que apresenta três funções. Explicativa de relações causais (o presente é explicado por uma ação do passado, cujos efeitos permanecem no tempo); organizativa das relações sociais (parentesco, alianças, trocas, sexo, identidade, poder, etc.) de modo a legitimar e garantir a permanência de um sistema complexo de interditos e permissões; e uma função compensatória, que projeta o futuro a continuidade das ações. Os erros do passado podem ser corrigidos no presente, permitindo o regresso da ordem.

Em suas palavras: O “pensamento selvagem” não é o pensamento dos “selvagens” ou dos “primitivos” (em oposição ao “pensamento ocidental”), mas o pensamento em estado selvagem, isto é, o pensamento humano em seu livre exercício, um exercício ainda não-domesticado em vista da obtenção de um rendimento. O pensamento selvagem não se opõe ao pensamento científico como duas formas ou duas lógicas mutuamente exclusivas. Sua relação é, antes, uma relação entre gênero (o pensamento selvagem) e espécie (o pensamento científico). Ambas as formas de pensamento utilizam dos mesmos recursos cognitivos; o que as distingue é o nível do real ao qual eles se aplicam: o nível das propriedades sensíveis (caso do pensamento selvagem), e o nível das propriedades abstratas (caso do pensamento científico).

Conferência de Alexandre Quintanilha

A evolução do conhecimento faz-se pela curiosidade. Pela capacidade de formular perguntas. A ação é o elemento fundamental que permite observar a contradição e o contraditório sobre a experiencia permite avançar o conhecimento.

Para além da curiosidade, também a imaginação, permite avançar o conhecimento. O estimular da imaginação é umas das funções da educação. Há um conhecimento na imaginação, que está presente na formulação da hipótese (ciências naturais), na construção duma narrativa científica (ciência social) ou na formulação dos mitos e na história. Assim a teoria corresponde a uma necessidade de perguntar. A origem da história resulta de associações.

O processo de validação das hipóteses ou das narrativa é um processo que pode ser trabalhoso. Um trabalho de uma vida. O processo em que o conhecimento passa duma forma frágil para uma forma robusta é feita pelo processo de crítica. Uma crítica interna e uma crítica externa. Todo o conhecimento (formulação de hipótese ou narrativas) tem que apresentar uma coerência internam ser abrangente e apresentar-se com elegância esimplicidade

A questão da aplicação do conhecimento ou da sua experimentação tem a ver com a verificabilidade das coisas. Acontece é todas as áreas do conhecimento, tem a ver com a matriz do conhecimento, e são ciclos ao longo da vida. Por vezes, o conhecimento não segue a lógica da sequência da razão. Por vezes o óbvio é falso e a verdade apresenta-se como relativa. Um ponto de observação é apenas a observação a partir dum ponto.

A história da ciência está cheia destas situações, da confusão do óbvio com a verdade. A questão relatada por Galileu, de que a terra gira em torno do sol, ao invés da óbvia observação do inverso. A questão da toxidade do Oxigénio, que terá aparecido na terra por volta de 4.000 milhões de anos e terá produzido a uma extinção em massa dos organismos vivos[9]. Cerca de 90 % dos organismos despareceram então, devido à sua elevada toxidade.

No corpo humano, 99 % das celulas do corpo não são humanas, são bactérias e fungos. Apenas 1 % corresponde a material genético humano. Isso levanta a questão do que é a natureza humana. Porque é que alguém se deslumbra perante a observação da vitória de samotrácia[10] ou perante Bach e Schubert, e não acha grande interesse na Gioconda.

Em suma a curiosidade e a imaginação sempre estiveram presenta no conhecimento científico do ocidente. Os mitos de Prometeu, de Pandora, Ícaro, Orfeu, o Fruto Proibido de Adão, o episódio de Sócrates, o velho do Restelo nos Lusíadas, Santo Agostinho na sua invenção do pecado original. No século XIII a emergência da tolerância pela curiosidade levará à formação do pensamento científico.Leonardo Da Vinci e as suas experiencias cientíifca. No século XVII, Pascal com a sua proposta da melhor probabilidade da crança em Deus, que dá origem á teoria da probabilidade, de que não devemos ir mais longe do que o nosso valor. Newton, Bacon e Espinosa foram questionadores. Os místicos milenares. No século XVIII, Goethe, Darwin, Lavoisier.

Todos os cientistas, acabam por trabalhar sobre as questões do seu tempo, procurando dar resposta às perguntas das suas sociedade. No século XX as aplicações do conhecimento DE Peter Singe. No século XXI a ética é o principal campo de reflexão sobre o conhecimento.

O desafios do conhecimento hoje:

  • . o caso duma mãe morta que dá vida. É possível ter corpos apenas pare grera vida.
  • . a possibilidade de se terem três pais: Na mitocôndria o DNA é contributo da mãe, enquanto o núcleo é contributo da mãe e do pai. Em alguns casos, é possível acrescentar um DNa duma 2ª mãe, para suprir ou recuperar o mitocôndria

O Psicodrama como narrativa com o risco

A questão das comunidades portuguesa e das identidades

Todas as comunidades tem um quadro de valores e as suas fronteiras.

A sociedade tem uma dimensão inclusiva e cosmopolita

[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Buber

[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Henri_Bergson

[3] https://pt.wikipedia.org/wiki/Edmund_Husserl

[4] https://adta.org/marian-chace-biography/

[5] https://pt.wikipedia.org/wiki/Escotoma

[6] https://fr.wikipedia.org/wiki/Anne_Ancelin_Sch%C3%BCtzenberger

[7] https://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Weil

[8] https://www.youtube.com/watch?v=LjqY8YxGF1M

[9] http://nautilus.fis.uc.pt/gazeta/revistas/30_1/vol30_fasc1_Art02.pdf

[10] http://www.louvre.fr/oeuvre-notices/victoire-de-samothrace

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