VI Encontros de Primavera 2015

Realizou-se no passado dia 30 de maio as VI Jornadas de Primavera, organizadas pela Sociedade Portuguesa de Psicodrama. Mais uma vez em Coimbra, desta vez, talvez sintoma da Crise, na Quinta das Flores, a Escola de Música, um espaço menos atrativo e menos funcional.

jornadas da primavera

Viajei de comboio até ás terras do Mondego. Um sábado de manhã. A cidade adormecida e uma estação agitada com grupos em viagens para o norte.

O desafio do ano foi as interfaces do psicodrama. Um programa mais centrado em questões do psicodrama. A ausência do sociodrama fez-me pensar duas vezes em deslocar-me a Coimbra. Lá fui e sem perda de tempo, como sempre.

A organização deste ano foi da Paula Fraga e Manuela Carriço. Uma organização simpática que envolveu o almoço e um pequena performance teatral no final, por um grupo de teatro amador, criado a partir das atividades do teatrão de Coimbra.

O primeiro work shop  com o título “Psicodrama com jovens: “Dança de estátuas” dinamizado por  Vítor Silva e Cátia Silva parte duma proposta de trabalho com jovens em situações de pouca comunicação verbal e pouca desinibição não verbal.

O aquecimento parte da criação dum cenário de descontração e introspecção, com um convita a deitar no solo a escotar a música, a respirar profudamente, a sentir o corpo. Percorrer o corpo, sentindo-o com a mente, dos pés ao cérebro.

Propõe-se uma viagem no tempo

Inicia-se à milhões de anos atrás em que cada um é uma célula. Cada célula é convidada a explorar. Primeiro a si mesma e depois o mundo que a rodeia. Lentamente o grupo vai-se ligando a outras células. O ambiente mais escurecido, com vendas nos olhos facilita a redescoberta. O movimento finaliza com uma estátua. Uma estátua fluída.

A viagem permitiu criar uma dinâmica de integração no grupo. Discutir sobre a questão.

Sentir e experimentar o outro. Sentir o cheiro, o toque da pele, a temperatura do corpo do outro, das mãos. O som e o movimento do corpo como proposta de reconstrução. Experiências menos frequentes do que se pensa entres jovens.

Sentir e deixar sentir-se.

Ás 11.30 Psicodrama Público com  José Teixeira de Sousa e Gabriela Moita. Um prazer ver os dois a trabalhar.

A escolha do tema em Psicodrama Público pode ser feito por três formas:

  1. pela emoção, por algo forte que emerge

2.pela escolha dos protagonistas

  1. por escolha do diretor

No caso a escolha, pelo grupo caíu em cima da R.. Uma rosa com espinhos na vida. Uma vida conjungal de vinte anos, que abandona, sob ameaça, com dois filhos. Um camonho vacilante. É necessário escolher entre a emoção e razão. Saber onte estamos e para onde queremos ir. O tempo presente e o tempo passado. Saber escolher e ousar avançar. Mais uma vez uma poética psicodramática, com dramas da vida real.

A ALMOÇO atrasado, muito atrasado decorreu sem nada relenvante. Uma comida sem memória, com arroz e batata que deu em sono. De seguida o Miguel de Vasconcelos com ” A grande evasão: psicodrama em contexto prosional”. As prisões que todos temos. Pessoais, Sociais e Mentais. Todos somos alvos de tiranias.

A escolha do temas passou pelo método sociomético. Solicitar que cada um se colocase dentro do tiangulo da vida. Verbaliza-se o que sentia. a partir da verbalização o grupo rearranja-se sociometricamente. Escolhe-se um termo que representa todos. Dramtiza-se

Fui o tirano. Um tirano democrático, destituído pela libertação dos outros. Um experiencia de perceber a força do social.

Mais um atraso, e segui-se ” Psicodrama e Psicanálise – Luísa Vicente” Uma sessão de supervisãop psicodramática com cada um a trazer casos para dramatizar. Uma dramatização dum casal disfuncional, ela com profissão viajeira, ele sedentário. Ela engorda e desinteressa-se da vida, ele dessinteress-se dela. A dramatização evoliu para coisas das memórias, do passado das relações familiares, dela com os pais. Os papeis vão-se enriquecendo com os contributos dos protagonistas.

Finalmente “Psicodrama e Fenomenologia” de Pio de Abreu

O problema da intencionalidade. Colocar em tensão do latim “intentio”

Conceito trabalhado na filosofia como o “carácter orientado, adaptado ao futuro imediato, de certos conteúdos da consciência”.

Na wikipédia Intencionalidade  remete para a filosofia escolástica de  Franz Brentano da Escolástica. Define um contudo da consciencia, quando é dirigida para algo ou quando um ato é feito em função de algo que o antecede. Os atos de consciencia são atos de intensionalidade.

A fenomenologia de  Edmund Husserl, defende que a consciência é sempre intencional. Nesse sentido a intencionalidade, é uma propriedade distintiva do fenómeno mental: o do pensamento ser necessariamente dirigido para um objecto, seja real ou imaginário.

A fenomenologia de Husserl defende que as crenças, pensamento, desejos, aspiração são sempre orientadas para alguma coisa. Essa relação, consciente ou não, pode ser observada por via da ação, física ou comunicativa. Através da ação temos acesso às coisas, que, digamos grosseiramente, a pré determinam. A compreensão da intencionalidade implica a análise da relação entre o estado mental e a sua expressão, sendo que essa expressa aquele, mas também, as coisas que levaram á constituição desse estado mental, que nele estão presentes. Mais a frente desenvolveremos a questão a Intecionalidade.

Regressando á proposta de Pio de Abreu, para concluir a questão das jornadas da Primavera.  A intecionalidade relaciona-se com a questão da subjetividade, na medida em que um mesmo objeto, material, ou ideia, ou sonho, pode ser vista pelo menos individuo de diferentes maneiras, dependendo dos lugares de observação e dos seus contextos.

Do ponto de vista da psicoterapia é necessário verificar, por exemplo se o medo é um percepção, uma alucinação, um psicose, uma imaginação, uma memória, um sonho, uma recordação. Todos são objetos, que apenas podem ser observados na sua subjetividade.

A questão remete para as problemáticas da intesubjetividade, de relevância e verdade.

A intencionalidade, o modo como nos dirigimos para o objeto, determina, por assim dizer, o que nós observamos nesse mesmo objecto. A análise do processo como nos aproximamos do objeto será a chave da interpretação que damos.

A intencionalidade e o psicodrama reúnem-se nesta chave, pois a capacidade de olhar o outro com os olhos dele. A criação de identidade, individual e social é a constituição de um lugar comum. Esta questão remete-nos para a questão da intencionalidade coletiva, que mais tarde detalharemos. A humanidade caracteriza-se pois pela capacidade que cada um tem para saír do seu lugar e reconhecer o lugar do outro. A técnica fundamental do sociodrama é então a troca dos papeis. Este é o contributo de Marleau Ponty na sua Fenomenologia da percepção.

A capacidade de transcendência (História de Joseph Conrad) constitui nessa capacidade de se colocar no lugar do outro.

De acordo com Pio de Abreu, esta busca da transcendência tem vindo a ser prosseguida pela TOM (Theroy of Mind) . Aqui trabalha-se a relevância da imitação, a questão da intencionalidade do eu, o desenvolvimento da cooperação pela negociação, a capacidade da atenção partilhada.

Estamos portanto perante um extenso campo de trabalho para o resto do ano. Veremos como se concretiza.

O teatro Eu + 1 encerrou.

 

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