Diario

Este diário retrata a experiência de terapia sociodramatica iniciada em 2012. De acordo com o programa de formação de diretor de sociodrama é necessário um envolvimento num processo terapêutico durante cerca de dois anos. A identificação dos participantes fica siligiosas

O III Encontro da primavera. Maio 2012

Há distância dum ano. O que recordo. O aquecimento. A sensação de bem-estar. Somos todos deuses. A revelação da psicodança. Teixiera de Sousa é o emergente. A surpresa por perceber que o instrumento é poderoso. O reencontro com G. O encontro com os outros. O gosto de tocar e olhar. A passagem das linhas e das fronteiras.

Entrevista de Diagnóstico com A G – junho 2012

ociodramatica. A ide

Entrevista de Diagnóstico. Feita no espaço de trabalho . Cadeiras laterais. Procurar os conflitos. O que emerge. Modos de vida. A utilização do Psicodrma e da Psicanalise.

 Sessão 1 4 de Julho

Sessão com Ego-Auxiliar – A C. Protagonistas: A, N e P.

Apresentação. Problemas da sessão anterior. Representação. Eu, Conclusão: Refletir as emoções.

Representação do eu nuclear. Assumir a representação de três linhas temporais. Os confrontar os problemas. A representação da unidade nuclear permite evidenciar os conflitos. Transforma-se numa unidade de representação. Libertar o que está ativo no passado. Criar uma representação das identidades.

Através da reflexão permite-se olhar para a identidade e verificar as memórias partilhadas.

Sessão 2 – 11 de Julho (A, N, P, e I (novo membro) e A G

Representação da I,.

Reflexão sobre a sessão anterior. Salientar o fluido. O que ficou das sementes lançadas.

Apresentação. Apresentar cada um com a palavra do outro. o que é que cada um valoriza no outro. Lembrança. Falar sobre o novo elemento.

Proposta de Dramatização. Criar obstáculos. Fazer o espaço fluido e com obstáculos. Proposta para cada unidade de representação se situar no espaço. A posição no espaço permite revelar os temas.

Proposta de dramatização. A colocação de alguém no espaço e no tempo permite situar um problema. Pedir a cada membro que com a sua voz fale sobre os outros.

Resultado do drama. Permite emergir memórias, valores da herança. O tio Joaquim e a bicicleta azul. O equilíbrio e a astronomia. Olhar para trás com outros olhos.

Proposta: Representar os problemas, as emoções e os sentimentos como objetos no espaço cénico. Arrumar os objectos. Arrumar as recordações. Ter a cabeça cheia com conflitos é positivo.

Sessão 3 – 18 de Julho

Participantes: A, I, N e AG

Aquecimento: Acontecimentos da semana. Os dramas individuais de cada um. Os meus dramas A confusão das horas. Entre as 19:00 e as 19:30. Meia hora de seca num corredor a cheirar a cânfora. Para onde vai esta memória. Pensamentos entre o que é relevante e a experiência. (Lembrar de reler Wittgenstein) “A Morte é uma experiência que não pode ser rememorada. Reflexão sobre o limite da narração. Mesmo assim esta experiência pode ser produzida pela ficção. Ver o caso de Cardoso Pires em “de Profundis”. A consciência dos limites. Um processo.

Voltando ao aquecimento: A I e o seus problemas com os psicólogos, A A com os seus problemas de afirmação, o N e a sua fragilidade na relação com os outros no mundo. De quem tem medo o N? Quem são os seus inimigos? Como se resolvem os problemas do medo.

Representação: Técnica usada. A primeira palavra que vem à cabeça. A representação da ideia do outro. Fazer uma escultura fluída. Conversar sobre o seu significado, sobre o que querem dizer as posições. Conversa sobre a experiência de cada um sobre o modo como funciona com os outros. Em representação, formar um circulo. Da roda parte-se para a escultura.

Sensações. As mãos dadas transmitem calor. A mão de A. é quente, macia. A mão da I. é fina, dura e fria. Os problemas do N deram origem a um quadrado. A história do grupo é reproduzida. Verificou-se uma projecção de poder entre os membros do grupo. O jogo como análise do poder dentro do grupo.

Sessão 4 – 25 de Julho

Aquecimento: Eu e os outros. Quem são os outros. Ajustar os tempos dos outros, criar uma sincronia dentro do grupo. A A. Teve um fim de semana blue. O Nuno continua nas suas guerra. A I. continua com os seus conflitos com a sexualidade. ~

Dramatização: 1º exercício. Numa ilha deserta como se organizavam os parceiros. Distribuição entre géneros e as relações de poder.

2º Exercício. Sentados à roda duma fogueira escolher os objetos que representam o eu, o eu social e o eu profissional. O grupo roda e age.

Conclusão: O grupo representa A teatralização do macho dominador. Os papeis na sociedade. Os géneros com estruturação elementar. Reacções dos elementos do grupo. O Baton que significa sensualidade. Porque jogar um teatro sensual. O Azul estava bem evidente.

Sessão 5 – 13 de Setembro

Jogo simbólico. O eu e a gordura. Tecnica aplicada o espelho do eu que se quer transformar noutro.

Sessão – Psicodança com Luciano Moura– 16 de Setembro

Sensibilidades no jogo de aquecimento. A roda dos nomes, dizer o nome dos outros. Pensar numa cor para o outro. Aquecer com Musica

Aquecimento primário. Sonhar com a música.

Sentir a musica. Mexer os dedos, mexer os pés, mexer o tronco central, mexer o corpo.

Aquecimento secundário: A música toma o lugar. Distribuir pares. Sentir o fluxo. Sentir o corpo que se movimenta.

Procurar a tele. A percepção do outro. Olhar para o outro e perceber o seu olhar.

Espontaneidade: Capacidade de agira agora de forma adequada

Discutir as emoções sentidas. Porque se sente e porque se é.

Sessão da Tarde. A construção do Eu. Cada um tem vários eus (papeis). Exercício. P. mostra os seus vários eus. Resiste contra a intrusão. Procurar sentir a Tele. Comentários. Fazer sentir as emoções. Verbalizar o que se sente.

Espontaneidade: o conflito do papel do eu. Catalisar a introdução do outro para aceitar. A aceitação do outro enriquece o eu.

Sessão 6 de Psicodrama- 14 de Novembro.

Situação: Gestão dum conflito. Encenação: Dramatização das palavras. A construção do exagero (ampliação) a representação em estátua. Resolução (como gostava que fosse). O exagero revela os elementos de significação. Questão para pensar. Como resolver os conflitos

Recentrar o grupo. I. e N. estiveram em conflito. Representar os dois membros lado a lado. As personagens são substituídas por egos. São verbalizadas as tensões.

Fazer uma estátua. Solicitar a um membro do grupo para acentuar e recolocar os sentidos da estátua

Sessão 2 – Psicodança com Luciano Moura – 18 de Novembro

Aquecimento Musica de representação de vários estados. Exprimir tensões. Distribuir panos com cores para exprimir tensões. Ajustar as emoções do choro e das lágrimas. Propor viagem no tempo. Recordações boas. Recordações de perdas. Dessacralizar as lágrimas. As emoções são teatralizadas. Dar nomes às lágrimas. Propor um movimento sobre as lágrimas.

Musica para os pés. Colocar os pés a procurar os outros pés. A partir da sensualidade são reencontradas a sexualidade.

Representação de 4 momentos da vida através da música.

A inocências, a paixão, a idade do compromisso e o tempo presente. As viagens pelas paixões. Danças com M. As MM e as vários ritmos. Sentir o calor à flor da pele. Fixar o olhar e sorrir.

Sessão 7. 28 de Novembro (Com N V)

Jogo de apresentação da Sofia conduzida por NV. Rigor na técnica e descrição na presença. Cada pessoa apresenta o outro. No final o visado rectifica o que acha que vale a pena. Depois cada um tenta intrepretar quem é a S. que vai corrigindo

Sessão 8. 5 de Dezembro

Raquel novo membro. Apresentação do Átomo Social.

Representações da ansiedade. A viagem de comboio de P. com a chegada a ansiedade. Lidar com a emoção. Respirar fundo. Emoções e respiração.

Exercício conjunto proposta. Representação de momentos de ansiedade. Os vários membros do grupo colocam-se em diferentes posições de proximidade em relação a sentimentos mais fortes ou nulos da sensação de ansiedade.

Representação 2. Exercício dramático

Um membro desloca-se pelo palco sem tocar noutro. Depois procura situar-se em função das sensações. Alguém de entrepõe de leva-o para outro lugar. Outras sensações

Ansiedade: Ansia ou nervosismo. Construção biológica que antecede os momentos de perigo (real ou imaginário) marcado por sensações corporais dolorosas. Sensação no estômago coração que bate rapidamente, medos internos, aperto no tórax, transpiração. As exprriencias na primeira infância são fontes de ansiedades.

O transtorno de ansiedade: Incapacidade de agir. Não age porque não é capaz. Medo de errar, não fugir, timidez excessiva.

A ansiedade activa o sistema nervoso: Pode gerar fadiga, insónias, sufoco, confusão, tensão muscular. Tenica de relaxação. Respirar profundamente, fazer desporto, evitar estimulantes. Fazer meditação, pensamentos positivos.

Sessão 9. 12 de Dezembro

Aquecimento: A bola do desejo. Passar a bola por cada membro para ver o que cada um deseja.

Temas usados com músicas: Representar estátuas. M e I apresentam as suas qualidades/defeitos. Cada eu tem vários eus. A questão do desejo de fazer mal como emergente. A questão da ausência de desejos. A emoção de estar deitado na cama com outra pessoa. Sonhos

Sessão 3 – Psicodança com Luciano Moura – 15 de dezembro

Danças de integração.

A questão da Jacvob e o Anjo. A luta do terceiro profeta contra o anjo (o estrangeiro). Mito da criação da terra de Deus (Israel). Ver quadro

Pirandelo. Há espera de Godot. (o pequeno deus) Um dialogo sobre a natureza humana.

Sessão 10. 19 de Dezembro

Trabalhos sobre estátuas. As evocações que cada um sente. Procurar as cores. Envolver-se nas cores e verbalizar o que se sente. Deixar as cores e ajustar-se a novas cores.

Sentir a cor. Envolver-se na cor e libertar-se simbolicamente da cor.

Sessão 11. 2 de Janeiro

O Átomo social de S. A Construção da personagem. Os que estão próximos, os que não estão (ausentes).Aqueles que estão longe. Fazer uma fotografia. Mudar a fotografia do que é para o que se deseja ser. A S. e a sua voz monocórdica.

Há uma citação de Fernando Pessoa no metro. Procurar o ponto que concentra a energia. Será o ponto de Bahute ?

Sessão 12. 9 de Janeiro

Proposta de exercício de reconstrução do eu social. O palco é o local de apresentação. O eu social e o eu alargado. Profissional.

Dá como resultado representações das diversas formas do eu. Através das almofadas e das cores podem-se representar estados e espírito e sensações.

Representar a Bola Mágia. Fazer do palco o espaço de representação do eu. A vontade do futuro.

Sessão 13. 16 de Janeiro

A entrada da Beatriz. A representação do átomo social. Vacilou na representação do pai. As dificuldades de colocar-se no lugar do outro. Um mundo sem tensão. Mostrou um mundo interior bem construído, em harmonia. O que estará para além disso.

Formação 1 – Métodos e Técnica 19 Janeiro

Ver módulo

Sessão 13. – 23 de Janeiro

O sonho do Manuel. A representação do sonho. O eu, o namorado e uma terceira. No psicodrama representa-se não se interpreta. A representação deixa fluir. Procurar o eu inconsciente. Revelar pelo poder de representação.

Sessão 14 – 30 Janeiro

A representação do sonho do P que ia no comboio e ficou com ansiedade. A representação com a “bola mágica”. Representar o futuro para olhar o presente.

Sessão 4 Psicodança com Luciano Moura – 4 de Fevereiro

A representação do F. o rapaz que se recusa a entrar na roda da vida. A participar com os outros. A resistência até à exaustão.

As representações das histórias de vida. Escolher uma música e dançar a sua vida. A dança como libertação.

A organização duma playlist. Árvore de musicas para cada parte da sessão e para cada parte do corpo.

Sessão 15 – 6 de Fevereiro

Representação da estátua do Nuno. A sua relação com as mulheres. Os medos e as éticas. A evolução desejada. Construir o futuro.

Sessão 16 – 13 de Fevereiro

Representação de papéis. Encenar um “tribunal” ou um júri para confrontar as questões do género. As mulheres respondem a perguntas colocadas pelos homens sobre os homens. Faz emergir os estereótipos.

Através do grupo e das palavras em dinâmica sente-se o pulsar. Aquilo que é relevante. O captar as questões no espaço, pela ação, é diferente de pensar nelas. A acção dá uma dimensão de realidade que não está contida nas palavras.

Formação 2 – Métodos e Técnicas 16 Janeiro

Ver módulo Porto

Sessão 17 – 28 de Fevereiro

O que por nesta sessão. Começo a sentir um certo cansaço nestas sessões. Sinto a realidade a ir depressa demais sobre a minha refelxão.

A Beatriz está espantada com a falta de sinceridade dos Homens. Confrontou-se consigo própria representado o seu Eu. Procurar o que é que procura do outros. Verbalizar com egos auxiliares. Procura o que pretendo do outro numa relação.

Formação 3 – Psicodrama e Comunicação 2 de Março –

Com António Gonzalez e Ana Gaspar

Vou pela primeira vez conhecer a turma de Lisboa. Chego cedo, Ajudo a arrmar a sala. O pessoal começa a chegar. As gentes de Lisboa são mais descontraídas. Nas roupas e nas posturas. Parecem conhecer-se todos há muito tempo

Sessão 18 – 6 de Março

O átomo social da Patrícia. O apartamento como átomo. As diferentes posições e distâncias das pessoas.

A capacidade de rir de si mesma.

Sessão 19 – 13 de Março

A despedida do N. A revolta e o circulo de metacomunicação. A forma como resolveu o conflito com a Inês. Um conflito antigo. Saltar em para-quedas ou elevar-se no ar para ver de alto.

Formação 4 – 28 de Abril – Lisboa

Etologia e Psicodrama Ver módulo com Teixeira de Sousa e Cristina Martins

Formação 5 – 28 de Abril – Lisboa

Psicopatologias e sociodrama, por Roma Torres e Sara de Sousa. Regresso ao Porto. Esta é a primeira sessão do grupo de sociodrama. Somo apenas 5. Eu a Joana, a Neide, a Paula e a Carla. Agora está mais fácil entender o que é o sociodrama. Entender a diferença em relação a forma de tratamento de patologia. Pegar no emergente. Trabalhar a partir do emergente.

Sessão 20 – 8 de Maio

Regresso ao grupo. Depois de quase dois meses de descanso. Reencontro os mesmos problemas mas noto uma evolução. A. Está mais segura. I. Começou a fazer estágio. Continua as suas inseguranças. A Sofia está agora com uma relação mais estável. Conversa com mãe e parece que a mãe está com pena de ver a filha partir. Está a terminar o curso.

Representação dos problemas da Inês. A rapariga tem uma cadela que gane quando está sozinha. Em casa tem que fazer turnos para acompanhar a cadela. Para serem amas-secas da cadelinha. É curioso como fiquei com a sensação que os problemas da família estão deslocados para a pobre da cadela. É só uma impressão

Formação 6 – sociodrama e Psicopatologia- 11 Maio Porto

Roma Torres e Sara Teixeira

Sessão com grupo reduzido. Apenas quatro pessoas. Roma Torres apresenta a sua teoria sobre as pesicopatologias a partir do desenvolvimento das teorias dos papeis do Bermudez. Cada papel desenvolve-se a partir das relações com outros papeis.

Sessão 21 – 22 de Maio

Faltei a 15 para participar no jantar do IDN. É dia de poucas presenças. Pat e Ana acompanham-me. Pat está mais solta. Parece que recuperou confiança em si. Ana continua a circular em torno de si e das suas ideias. Sinto evolução racionalizada. Reconhece-se como diferente e vai andando. Com serenidade. Demonstrada. Controlada nas emoções. Nádia esteve ausente o a representação girou em torno das representações do eu.

Com uma fita de máquina registadora, desenha-se no palco o perfil. Cada um desenha (decora com canetas, plasticinas, bonecos, cores) a imagem de si. Escolho os simbolismos geométricos. Quadrados, círculos, triângulos, losangos. Ondas do mar, espirais, búzios. Nos pés mais atenção com espirais, na cabeça dois olhos com elementos (terra, ar, fofo e água). O sexo concentra os vários elementos simbólicos.

Pat olhou para si através das palavras. Escrita intensa. Rápida e nervosa a retratar estados de alma. Ana mais sóbria. Retrata as extremidades. Cores fortes nos pés, nas mãos.

No final tudo desaparece com rapidez. Eu enrolo com paciência o meu próprio corpo. Noto a diferença.

Sessão 22 – 27 de Maio

Desenroulou-se a partir da dramatização da I. A sua relação com o estágio, com a mãe. Com o namorado com o pais. O eu foi sucessivamente desdobrado. Cada eu ganhou uma autonomia para reconhecer o que queria ou não queria.

Sesão 23 – 5 de Junho

A Janela de Juary. Jogo de representação do eu, do eu conhecido, do eu não revelado e do eu desconhecido. Deixou-se para outra altura, psicodramática do sonho o eu escondido.

Sensação de desconforto perante a exposição ao outro. Rubrorizei. Hesitei o que dizer, acabei por ouvir.

É interessante entender como as pessoas se encobrem. Se mascaram para ocultar os defeitos. Os pés tordos da A. O Nariz e a magreaza da I. O cabelo fino e a estuatura meã da S. São coisas que eu não havia percebido. Afinal eu dou muita atenção aos outros. Não veijo aquilo que não quero ver.

Mas na verdade, aquilo que os outros veem é também o que querem ver. A curiosidade e a distância que eu acabo por criar. Será uma defesa do vazio ? Ou haverá alguma consistência nisso.

Sessão 24 – 19 de junho

Jogo da matriosca. Descascar emoções até atingir o eu. Criar a espontaneidade. Sentir o fluir das coisas que não se gosta. Sentir a apreensão do que vou dizer. Senti a pressão de estar como os outros.

Jogo de linguagem N. representa em gujarat  uma doente que chega com dores ao hospital. A questão da comunicação médica. O processo de diagnóstico e a comunicação. Tudo partiu do medo de S. que sabe muito mas sente pouco. A medo de enfrentar o real.

Cada um é protagonista. Formas de comunicar. Sentir o outro, olhar o outro. Tentar estabelecer outros canais de comunicação. Atingir pontos de compromisso. Criar signos que permitam avançar. Atingir um ponto de satisfação.

IV Encontros de Primavera – 22 de junho

Viajo para a Quinta das Lágrimas em Coimbra. Saio à 6:45 de casa. É dia. O primeiro dia de verão, embora a Lua Cheia seja neste dia. Um Brisa fresca no ar faz recordar um verão o pouco quente.

Apanho o comboio às 7:07. Sigo pela linha do Tejo a ler o “Império das Monções”. Leio devagar, a saborear o tempo e a escrita. Chego a Coimbra à tabela. Enconto M e apanhamos um Taxi para a Quinta. Um espaço fantástico para o Encontro. Este ano com os temas dos poetas. Inscrição nos Work Shops: escolho José Régio, Herberto Helder, Nitshce e Almada Negreiros. Procuro sobretudo conhecer outras gentes, outros processos.

O Encontro inicia-se com Teixeira de Sousa inicia inspirado em Camões “Estavas linda Inês posta em sossego”. Faz-se um aquecimento geral. Apresentação na sala, com nomes, profissões e origem da viagem. Escolhe-se um poeta e constrói-se uma estátua em grupo.

Sigo para a sal do José Régio A proposta é construir uma situação psicodramática a partir dum poema. Leitura do poema. Interpretação. Reimaginar o sentimento e a emoção. Construir uma estátua. A partir do emergente desenvolver a dramatização. A dramatização permite emergir o ponto da sensível.

Passo para a sala seguinte, Margarida Pedroso Lima propões Herberto Helder com “Todas as coisas são mesa para os pensamentos” Herberto Hélder. A proposta é construir uma cama de paz com balões coloridos. Enchemos os balões. Para que conste, é um exercício relaxante. O aquecimento é feito com música. Musica escolhida de 1 a 10, com ritmos mais suaves ou acelerado. Sentir a a sala e o copro. O desafio é encontrar o ritmo mais adequado. Escolher o ritmo onde nos sentimos melhores mesmo que no exterior escutemos ritmos diferentes. Depois, no relaxamento, procurar sentir o silêncio. A voz interior e escutar o poema o Amador. Fixar o que mais interesse. A dramatização parte para a experiencia da confiança. Cada um deita-se na cama de balões coloridos. Fala o que sentiu no poema.

Com o final da sessão chega a hora do almoço. No jardim. Passamos pelo pequeno museu. De Inês de Castro, com todo o romantismo português a saltar das paredes. Conversas soltas. A R. e as colegas. Bom petisco e caio na asneira de beber um copo de vinho tinto. Rapidamente fico sonolento.

Recomeço. “Só posso acreditar num Deus que soubesse dançar” F. Nietzsche” é a proposta de Ana Cruz e Nuno Pires. Proposta de psicodança. Talvez com um aquecimento prolongado. Olho para os pés. Há de facto uma quantidade enorme de pés. Com dedos grosso, fino, longos. Pernas com formas diferentes. Há quem pinte as unhas, quase sempre de vermelho. Há que não tire os sapatos, como aquela rapariga de braços tatuados. Por fim emerge a Mili. Inseguranças em relação ao outro. O caminho em branco, O risco de ousar o primeiro passo. Fazer uma estátua do que se sente. Criar uma ópera com a música a partir do guião do sentimento. Uma boa proposta para grupos com crianças ou adultos. Workshop extenuante mas maravilhoso.

O último é novamente na sala de dentro. “Já alguém sentiu a loucura vestir de repente o nosso corpo” de Almada Negreiros por Margarida Matos Beja e Conceição Lains. Almada e a sua procura do uno e do todo. Convidam a vestir adereços e a uma viagem pelo jardim Colher o que se quiser. No lago, todos são convidados a despojar-se do que levam. Uns desnudam-se com facilidade. Outros resistem.

Quando se fala do que se sente e como se sentem, os participantes são convidados a descobrir e escolher duas estátuas. Uma negra e outra branca. A negra é normal, a branca tem uma autista. Sem comunicação o grupo descoordena-se. Olhamos todos como proposta de nada. Resultado. Olhamos todos uns para os outros e somos todos autistas.

Cena final. Pio de Abreu com Leonor vai pela verdura, com dança. Escolha do melhor workshop. Avaliação geral, com representação duma estátua do que foi.

Regresso de boleia com M e I. Noite de Lua Cheia. Troco opiniões sobre os outros módulos. Fiquei com curiosidade no modulo da memória. Entre Jorge de Sena e Sofia de Melo Breyner. A memória de Cena, mais ativa contra a memória bucólica de Sophia.

Sessão 25 – 25 de junho

Dramatização da P. A insegurança da família. Representação de vários eus. A estátua. De onde estou e para onde quero ir. O jogo do tempo.

Sessão 26 – 3 de Julho -Faltei

Formação 7 – Sociodrama e Psicopatologia- II 6 julho Porto

Ver módulo

Grupo de Psicodança com Luciano Moura – 7 de Julho – Porto

No comboio de regresso a Lisboa. Foi um dia cheio. De emoções fortes. De manhã dum dia quente, na Academia Breiner iniciamos com o aquecimento. Transpiração na ocupação do espaço. A Dona Helena, personagem castiça do Porto, com o seu linguajar, de estatura meã, seca de carnes, à procura de emprego para a filha, zangada com os patrões. A apresentação do grupo. Apelo a falar das 4 características. Sentir. A racionalidade, o fazer e o amar. (pouco desenvolvido). Proposta de ir buscar quem representa-se o que se é. Como se projeta. Logo de início fui tocado pela M. Via na rua, formosa, a fazer-se insegura, passeando distraidamente, fazendo-se surpresa. DE preto vestida, com brincos de prata. Étnica na sua negritude. Silenciosamente a palavras rolam cheias na boca. Morena de olhos negros. Traz vida na sua mão. Mulher irmã. Ao lado a Milinha. Jovem cobiçada nos seus shortes e nos seus olhos claros. Duas pérolas escondidas numa testa saliente. Cheia e feliz. Fala do arejamento das ideias. O vento que levanta interrogações. Os outros. Pessoas que sofrem. Olhos tristes, amargurados. Mulheres que sentem. Meninas que crescem. Dores da vida. Chamou-me a atenção que os rostos são como máscaras. Muitas pessoas trazem no rosto a marca do sofrimento.

Da apresentação passamos ao Drama. Proposta de sentir o espaço. Olhar para os outros. Procurar as emoções nos outros. Procurar o olhar e sentir o resultado do encontro. Procurar sentir os olhos do outro a partir dos olhos dele.

Sentir o prazer de voar livre. De sentir os amores. De nos libertarmos das amarras que nos tolhem os movimentos. Até ao almoço, viver essa liberdade. Saímos em conjunto. Na rua um vegetariano.

Regressamos sonolentos. Coloca-se boa música. Relembrar os sentidos vividos, procurar os outros na memória. Sentir o corpo a fluir. Gora despertar os outros. Sentir o momento. Sentir os outros a reconstruir o kithc do casamento. A consciência do ridículo. Os sentimneos de F a fluírem. O sofrimento e a morte do ente querido. Que não parte. Que fica.

A máscra tem um poder de sedução. Todos colocamos máscaras a partir da matéria prima individual. Sentir a emoção fluir. Livre. Sentir o calor a tomar conta do espaço. Sentir o ar que flui pelas janelas. Ouvir as andorinhas que vooam. Sentir os cheiros dos corpos suados. Escutar. Sentir, Tocar. Lá fora a cidade. No final senti-me próximo do Porto. Compreendi um pouco melhor a cidade.

Escrevo no comboio. Sentado suado no alfa. De alma cheia. Por entre as cadeira Olho a executiva de verde. Cabelos negros. Cara pequena. Lábios vermelhos. Branca de neve a dormitar. De verde. Magra de carnes. Discreta. Mascarada.

Sessão 27 – 10 de julho

Faltei

 

Sessão Psicodrama Público – Com Luísa Branco Vicente 16 de Julho – Ler Devagar

Em torno de Florbela, convita de Luísa Branco Vicente para um Psicodrama Público na Livraria LerDevagar. Chego mais cedo, como uma sandes mista e bebo uma cerveja. Acabado de chegar do Algarve olho para o que me redeia. Não conheço ninguém. Leva-se a experiência do Psicodrama Público. Não tinha reparado que era para levar um poema da Florbela. Não levei. A ideia parece ser construída a partir dos encontros de Primavera. A Proposta era sentir a intensidade da sensibilidade da poetisa. “a face feminina do Camões lírico, a prisioneira da liberdade que a vida não consente, o drama do amor imaginado por ser sempre um aquém ao ser vivido” como se escrevia no convita.

Vejo agora na página da NET (http://sppsicossomatica.org) que esta sociedade de médicos psiquiatras tem feito várias destas iniciativas, informais. Neste psicodrama público procura-se não expor o individual. Trabalhar as emoções a partir da poesia. Mostrar o potencial da ferramenta. Trabalhei num grupo com um poema sobre a morte e o abandono. Não segui muito o texto. Formamos um grupo que ignorava a personagem. Acabamos por desfalecer. De sentirmo-nos esquecidos, de nós e dos outros.

O curioso é que apenas depois da dramatização dos poemas se fez a socialização. Grupo de mãos dadas, a fazer sons interiores. A cantar o “amar perdidamente”, a fazer uma roda a tocar no outro. A abraçar e a despedirmo-nos. Nas palavras finais verificaos que para muitos é uma ferramenta conhecida e não experimentada

“Se falar de poesia é falar de emoções”, como disse a Luísa Vicente que considerou a arte também como um palco de investigação do inconsciente, relembrando Freud: “Qualquer caminho que o psicanalista escolha, o poeta já passou por ele antes”. A proposta poética é uma proposta de revisitação do mundo interno. Neste caso por via de Florbela Espanca. A metodologia permite mediar o eu. Evitar expor o eu.

Sessão 28 – 17 de julho

Sessão com Nadia. Presentes A.P e I. Proposta de representação da História “O Rei vai nu”  de Hans Christian Anderson. Quatro personagens, O Rei, o Alfeiate Charlatão, O Mordomo e a Criança. Quatro papeis. Liderança, Charlatão/manipulador, O submisso e o Assertivo/ Brincalhão. Exemplo de como a partir do conto tradicional de reconstroem papeis tipo.

Depois da encenação falar do porque da escolheu e do que se sentiu no papel. Procurar o que se sente em cada papel. Os pós e os contras.

Sessão 29 – 24 de julho

Novamente Nadia na direção. As quatro meninas presentes. Ultima sessão, para mim, antes das viagens. Compro um par de alperces para oferecer na despedida. Chagada ao espaço com passagem pela esplanada. A deslumbrante, num vestido linfo, bem cuidades, com um rosto triste. No aquecimento salta. O amigo colorido estava a colorir em seara alheia. Tristeza do abandono. Encenação no espaço através do diálogo ente a razão e a emoção. Dum lado eu penso, do outro eu sinto. Em diálogos com a assistência as coisas iam fluindo. O drama estava na ausência de certezas. A intuição, as rotina alteradas. O orgulho impedia de esclarecer, com base nas regras da autonomia. Da presença concordata dos breves momentos de compromisso, face à liberdade do dia a dia. Não assumir nada a não ser a liberdade. No fim A. sentia a traição da posse e o confronto com o egoísmo do sentir-se abandonada. Trocada. Mulher selvagem, mulher carente. Dei-lhe um abraço. S não compreendia como é que não esclarecia logo. P. questionava. Dá ideia que viveu algo parecido antes. I., ainda na sua imaturidade, a confrontar-se com as trapaceiriçes do mundo do trabalho, ainda estava a ver o que se estava a passar.

No fim deram-se densidade, viagens e o riso que marcou o percurso. O riso.

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