Árvore das Memórias IV

Realizou-se no dia 24 de Fevereiro a 4ª sessão de Árvore das Memórias: Lugares e Saberes do Sul, no Liceu Camões em Lisboa.

Realizou-se com cerca de 50 alunos do 12º ano, pertencentes a duas turmas da área das humanidades. Após o aquecimento, diversos temas foram surgindo acabando o grupo por se centrar na questão da aventura e segurança. Tendo a aventura como tema formaram-se 7 grupos de trabalho que se organizaram para construir uma narrativa.

O primeiro grupo, aventuras encenou uma deambulação por vários sítio ao acaso, acabando por chegar ao Canadá onde se sentaram a pescar.

O grupo da surpresa, que pretendia não fazer nada, dramatizou uma saída do aeroporto e acabaram a discutir o que é que é uma aventura.

O grupo do submarino amarelo, organizaram-se em volta dum tapete mágico e guiados pela capitão Haddock voaram até à procura da Atlântida e dum submarino amarelo do Portas.

O grupo das viagens optou por viajar até ao planeta X e mostraram o modo como enfrentaram o medo.

O grupo “com elas” nadaram como os tubarões, enquanto o sétimo grupo perderam-se numa montanha e foram atacados por lobos, tendo que superar os seus medos. todos procuraram aventuras com segurança. Um último grupo, constituído pelos atrasados e que não queria fazer nada, acabaram por tomar consciência de que não fazer nada é fazer alguma coisa.

Nos comentários finais falaram da importância da espontaneidade, da enfrentar novas experiências, da importância do brincar ao faz de conta, da relevância da imaginação.

A neurociência social mostra que a ligação entre todos está também influenciada pelos tempos da escola. Quando no andar de cima as cadeira começam a arrastar, gera-se o movimento de aproximação do intervalo.

Técnicas do Psicodrama

Técnica do duplo

(Representar um doente tímido, com conflitos (por exemplo sentimentais) que é incapaz de exprimir os seus sentimentos, um pouco envergonhado, eventualmente com algumas somatizações.)

Funções:

  • Ajudar o protagonista a exprimir os seus sentimentos
  • Procurar a sinceridade
  • Ajudar a descobrir o significado de algumas somatizações (por exemplo, representando dor no estômago quando existe agressividade, ou tosse quando existem segredos prontos a revelar)

Cuidados:

  • O duplo deve ser um ego muito conhecedor do protagonista (por vezes o próprio director) e que tenha boa relação e alguma cumplicidade com ele.

Risco:

  • fazer projecções, explicitar conteúdos que, de facto, não existem no protagonista.

Técnica do espelho

(Representar uma pessoa arrogante, eventualmente faladora a despropósito, desvalorizando os outros e sobretudo o psicodrama.)

Funções:

  • Devolver ao protagonista a sua própria imagem, vista pelos outros.

Cuidados:

  • ego auxiliar semelhante e com boa relação com o protagonista.

Risco:

  • agressividade do protagonista ou saída brusca. O ego deve estar preparado para o acompanhar.

Estátua:

(Representar amor, casamento, amizade, fúria, vergonha, culpa, etc.) ; (Representar diferentes estados de alma do protagonista)

Funções:

  • Exteriorizar situação mal expressa ou mal definida.
  • .Representar órgãos passíveis de somatização
  • Vivenciar (trocando de lugar) os diversos componentes da estátua.
  • Iniciar uma cena

Solilóquio

Funções

  • Permitir ao director saber se a cena é plausível e se corre num rumo adequado
  • Terminar uma cena

Troca de papéis

(Representar uma discussão entre um casal ou entre filhos e pais)

Funções:

  • Permitir que os egos auxiliares aprendam os seus papéis.
  • Permitir que o protagonista se coloque no papel dos outros e os compreenda melhor
  • Ao compreender os outros, permitir que o protagonista se funcione mais adequado a eles
  • Permitir que o protagonista se observe em espelho (como na técnica do espelho) e se corrija
  • Melhorar o sentimento moral

Interpolação de resistências

(Representar uma discussão agressiva, em que o ego se torna submisso) ; (no decorrer de uma discussão, o ego auxiliar tem um ataque e morre)

Funções

  • Permitir a espontaneidade do protagonista perante uma situação não esperada.

Representação simbólica

Funções

  • Permitir a representação de cenas irrepresentáveis (agressivas ou eróticas)
  • Reformatar a situação através de uma metáfora

Risco

  • Introduzir material do terapeuta, não presente na mente do protagonista

Métodos e Tecnicas do Psicodrama

piodeabreu

Livro de José Luís Pio de Abreu

Pio-Abreu, J.L. (2002). O Modelo do Psicodrama Moreniano. Coimbra: Ed. Quarteto.

2ª edição 2006, , Lisboa Climepsi.

 

Os Instrumentos do Psicodrama Moreniano:

  1. Protagonista
  2. Diretor
  3. Ego-auxiliar
  4. Auditório
  5. Cenário

O ego-auxiliar ultrapassa a causalidade linear (Efeito proporcional – linear)- dum acto. Eu chutei uma bola. O efeito da bola (movimento) é causado pela força do pontapé).

Procura repor a dimensão circular. O espaço provável. Liberta a tensão da memória na sua tensão com o esquecimento.

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How does psychodrama work?

How theory is embedded in the psychodramatic method?

de José Luís Pio de Abreu e Cristina Villares de Oliveira.

Publicado em Psychodrma, Advances in Theory and Practice, Edited by Clark Baim, Jorge Burmeister, Manuela Maciel, Foreword by Zerka Moreno and Grete Leutz, chapter 9, pp 127-137

Como é que a teoria usa o método psicodrmático. Moreno sempre recusou a formação dum corpo teórico. Esta recusa da incorporação teórica leva a que a teoria psicodramática se apresente de forma complexa.

Os elementos chave do psicodrama são consistentes como campo de aplicação das psicoterapias. Há uma separação entre o grupo e dramatização do contexto. Também os instrumentos (diretor, protagonista, egos-auxiliares, audiência e o palco. A evolução da sessão do psicodrama é também consistente. Aquecimentos geral, específico, dramatização. A procura da espontaneidade. Com o fim da dramatização abre-se espaço para a palavra.

As questões criticas do processo é então a dramatização e a aplicação de técnicas específicas por decisão do director. No desenvolvimento da teoria Moreno marcou quatro conceitos. Papel, espontaneidade, tele e actin-out (exteriorizar). O modelo apresenta o sofrimento, como algo que bloqueia a espontaneidade e a reacção de integração (a catarse de integração). E a partir disso que se gera a transformação da personalidade.

Se há mudança é porque funciona. Porque é que funciona?

A Matriz de identidade definida por Moreno é a ideia de desenvolvimento de personalidade Prmeiro Universo (id indiferenciada, id diferenciada) Segundo Universo, Ruptura (fatasia/realidade). As técnicas psicodrmáticas do (duplo, espelho e a inversão dos papeis,) relacionam-se com estes três estádios. As crianças usam nas suas brincadeiras, de forma espontânea. As actividades das crianças são essenciais para o seu desenvolvimento cognitivo. Os jogos tem uma certa sequência.

Duplo. É um faz de conta. Algo que assume a identidade do protagonista e que desenvolve atividades que ele não é capaz de fazer. Os papei do pais. Interção entre a mãe e o filho.

Interpolação de resistência. O director pede a um ego que age de modo diferente do que o protagonista está à espera.  A interpolação da resistência é uma função da realidade. A realidade sem confrontar com os outros e uma eterna repetição. O confronto é o que produz conhecimento da situação. O que faz o conhecimento crescer.

O Role Playing e as Esculturas, outras duas técnicas utilizadas, aplicam-se na busca de novas formas de ser, de estar e de fazer. São representações de actividades cognitivas básicas. São também a base da acção. São actividades semelhantes. O role playng, jogado desde cedo pela crianças tem como objetivo testar atividades, formas de estar, papeis. São formas de expressar emoções e desenvolver processos cognitivos e reconhecer os desejos do outro (as suas crenças e desejos). Através da escultura o protagonista representa alguma coisa problemática para ele.

O jogo de espelho. O espelho é usado como uma ferramenta para o auto-reconhecimento nas crianças a partir dos 3 anos de idade. No psocodrama é usad quando se quer que o protagonista se observe a si mesmo. Tem também como objetivo levar a que o protagonista se aceite como é.

A Representação simbólica é descrita por moreno e constitui uma metáfora. A utilização de objetos para representação de significados. Através dos objetos colocados pelo protagonista é possível observar a sua organização do mundo. Os valors, as regras os interditos, as crenças (hierarquia de valores, a adesão aos valores implica uma contextualização do pensamento, no espaço e no tempo). A experiencia do indivíduo ajusta o processo de pensamento às combinações dos papeis.

O instrumento da representação simbólica é uma ferramenta poderosa na reconstrução da criatividade, na imaginação e na construção da autonomia.

No solilóquio, no falar alto o protagonista tem oportunidade de se ouvir a si mesmo. A verbalização do pensamento é também um instrumento de conhecimento e de definição da trajectória individual. As crianças praticam o solilóquio de forma espontânea.

A inversão de papeis. É uma técnica central do psicodrama, permite o reconhecimento do outro. a espontaneidade da criação do papel do outro permite incorporar o outro e ajustar os suas vários comportamentos. É um exercício complexo e delicado. O protagonista tem todas as possibilidades de reconstruir o eu, mas tem que ter vontade de o fazer.

A filosofia do encontro

A teoria da matriz da identidade do moreno pode parecer complexa. Ela tem por base que o individuo (na sua relação com o seu corpo) e nas suas relações com o mundo se baseiem em fluxos de energia. A matriz é a fonte, que se concretiza nu Locus. Para que produza energia é necessário um “stato nascendi. Qualquer coisa que processe a energia de forma dinâmica.

Na teoria de Moreno o Status Nascendi e o aquecimento são o que produzem energia dinâmica. Essa energia é captada (constitui a espontaneidade). Para moreno a espontaneidade é o motor do comportamento. Ela manifesta-se através das emoções. Os sentimentos expressam valores (sentimentos que os seres biológicos sentem por viver situações reais ou imaginárias. As expressões dos sentimentos são Medo/Alegria, amor/ódio)

No psicodrama representa-se a relação romordial (Matriz-protagonistas, Locus. Cenário,  o Status Nacendi –Aquecimento) O papel do diretor é ajudar o protagonista a encontrar o locus apropriado.

A base do psicodrama concretiza-se na filosofia do encontro. O encontro abre para todas as complexidades das relações humanas. No encontro o protagonista sente e incorpora algo de significante que poderá ser enriquecido em novos encontros.

A teoria da Tele, como relação entre papeis (entre unidades de comportemento e sentimento). O psicodrama trabalha sobre a relação entre informações. O modo como se incorpora o outro. “Olhar o outro com os olhos dele”.

Trabalho com a linguagem corporal. O encontro permite promover a vida. Permite a comunicação entre pessoas. Permite a expressão de emoções. Permite aproximar ou afastar. Para além da linguagem verbal, as linguagens corporais são canis por onde se estabelecem os afectos.

O fator de grupo. O psicodrama é um processo de grupo. É uma terapia individual em grupo. É um processo onde a relação é um meio de mudança e a voz o processo de reconhecimento dessa mudança.

Sociacarcia e sociodrama : uma proposta de transição

ORIGINS OF SOCIOCRACY

WHY A SOCIOCRACY?

Following almost a century of political revolutions in which monarchies and aristocracies were overturned or stripped of power, Comte was searching for a rational basis for government. Governance on the basis of inherited rights, personal wealth,  religious dictates, and military power had all proven corruptible and not in the interests of the people.

Comte had developed a philosophy called “positivism” in which knowledge is based on what is known of the natural world, of what could be proven and not what a monarch or the church decreed.  He believed that a society governed by scientists could use scientific method to  decide the best social and economic policies.

THE ORIGINS OF THE IDEA

The origins of sociocracy began in the mid-nineteenth century with French philosopher Auguste Comte who had developed sociology, the study of people in social groups. The root word for both “sociology” and “sociocracy” is the Latin, socius, which means associates or companions. The suffix “-ology” means the “study of” as in archeology, psychology, etc. The suffix “-ocracy” means “to govern,” governance by associates, companions.

LIMITATIONS OF AN IDEAL

Sociology remained an ideal, however, because Comte was a philosopher, a theorist. Implementation would need the rhetorical skills of a political critic and an educat