Da “projetificação” ou de como o presente está a ser adiado

Blogue ATS

Por Roberto Falanga

Enquanto o mundo laboral continua preso a uma lógica fundada na precariedade estrutural, oximoro que revela a força do projeto biopolítico neoliberal, muitas ou mesmo todas as esferas da vida individual e coletiva parecem ser igualmente afetadas por esta lógica.

As consequências óbvias, mas nem por isso menos perversas, da precariedade são hoje tema de debate público em Portugal. Por exemplo, a recente constituição de uma rede nacional que junta as reivindicações de investigadores em regime de bolsa ou afins conseguiu pôr em cima da mesa um debate sério e robusto sobre o futuro da investigação neste país.

A precariedade irrompe não só no mercado do trabalho, como também no quotidiano. Ela é uma força silenciosa que se apropria de tudo, engolindo o presente e deixando-nos com nostalgia de um passado que nunca tivemos e com esperança de um futuro que vislumbramos de longe.

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Carta ao Papa Francisco para a convocação de uma Assembléia Universal

Leonardo Boff

Carta ao Papa Francisco para a convocação de uma Assembléia Universal das Igrejas, das Religiões e dos Caminhos Espirituais para uma nova Ordem planetária ético-espiritual

No mundo inteiro se observa uma espantosa acumulação de riqueza com a qual 1% da humanidade controla quase todos os fluxos financeiros. Tudo é feito à custa de duas injustiças: a social como milhões e milhões de pobres e a ecológica com a exaustão dos bens e serviços da natureza pondo em risco a sustantabilidade da Casa Comum que é  Mãe Terra. Face a esse quadro dramático o Papa Francisco animou o surgimento de um grupo para estudar esta do contradição, que a partir da Argentina estivesse aberto a todos continentes. Criou-se um Observatório da Riqueza Padre Arrupe:para um Novo Sistema Financeiro e Comunicacional Mudial.O grupo inicial começou na Argentina com pessoas notáveis como Perez Esquivel, Zaffaroni e outros. Agora convidamos as pessoas de…

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A ameaça à convivência humana nos dias de hoje

Leonardo Boff

A onda de ódio que grassa no mundo, claramente no Brasil, as discriminações contra afrodescendentes, nordestinos, indígenas, mulheres, LGBT e membros do PT sem falar dos refugianos e imigrantes rejeitados na Europa e pelas medidas autoritárias do presidente Donald Trump contra imigrantes muçulmanos, estão rasgando o tecido social da convivência humana a nível nacional e internacional.

A convivência é um dado essencial de nossa natureza, enquanto humanos, pois nós não existimos, co-existimos, não vivemos, con-vivemos. Quando se dilaceram as relações de convivência algo de inumano e violento acontece na sociedade e em geral em nossa civilização em franca decadência.

A cultura do capital hoje globalizada não oferece incentivos para cultivarmos o “nós” da convivência, mas enfatiza o “eu” do individualismo em todos os campos. A expressão maior deste individualismo coletivo é a palavra de Trump:”em primeiro lugar (first) os USA” que bem interpretada é “só (only) os USA.”

Precisamos resgatar…

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How best to prepare for epidemics? Strengthen primary care, by Ashwin Vasan

Saúde Global

A worker at the Wynwood Community Service Center hands a local resident a can of insect repellent Aug. 4, 2016, in Miami. AP Photo/Alan Diaz

The Conversation –  In global public health, 2016 was a year defined by the end of two important emergencies: Ebola and Zika.

But that doesn’t mean the risk either of these viruses pose has gone away. Zika transmission continues despite the World Health Organization declaring it is no longer a public health emergency in November. And some have characterized Ebola’s resurgence in 2017 as “a certainty.” We have to be prepared for these viruses to return, causing future epidemics.

With Zika and Ebola, much of the attention has focused on the need for more effective vaccines, faster deployment of staff and resources in response and better diagnostics. And all of these are vitally important.

But relatively little attention is paid to…

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“A esquerda e a Síria”, entrevista de Yusef Khalil a Yasser Munif

L´obéissance est morte

Resultado de imagem para Siria

Behind the humanitarian disaster of the Syrian civil war is a political crisis the Left urgently needs to understand. The Syrian tragedy is a key moral and political question today. Yet it has not been easy for leftists around the world to decide where they stand on Syria.

To illuminate the history and nature of the Syrian conflict, Yusef Khalil for Jacobin conducted an extensive interview with Yasser Munif, a Syrian scholar who studies grassroots movements in the country. The wide-ranging discussion that follows focuses on such core issues as the character of the Assad regime; the roots and development of the Syrian revolution, and the various opposition groups active there; regional and global interests and interventions; and the tasks and responsibilities of US solidarity.

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Apagar a História, 100 anos depois

Raquel Varela

Uma deliciosa piada estalinista dizia que na URSS o futuro é certo mas o passado imprevisível.

Corremos o risco de ver as nossas democracias liberais caminhar pelo mesmo caminho, no centenário da revolução russa. Pensei que o grande revisionismo nos 100 anos da revolução russa seria estilo Furet com a revolução francesa, uma efabulação. Enganei-me.

Porventura porque na academia, e sobretudo nas melhores universidades dos EUA, da Inglaterra e da Alemanha – hoje as evidências históricas são incontornáveis. Demonstram, ao contrário da tese mediatizada, que há um corte radical entre a política bolchevique (1917-1927) e a política Estalinista (1927-1989…com boa vontade iríamos até Putin aqui). Entre a revolução e a contra-revolução, portanto.

O grande revisionismo deste centenário tem algo de estalinista, curiosamente. Ele faz-se publicando biografias de Estaline, livros, “esquecendo” os dois dirigentes máximos da revolução, Lenine e Trotsky. E todos os outros. Apagando-os da fotografia. E lá para o…

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Garrett on Global Health – Trump: Two Weeks

Saúde Global

Council on Foreign Relations -by Laurie Garret

Since his January 20 inauguration, President Donald J. Trump has issued a dizzying array of statements, executive orders, and memorandums, several of which have bearing on international affairs, foreign policy, and the soft power agenda of the United States government.

President Trump’s obsession with the size of his inaugural crowds versus those of his predecessors, the ongoing attacks on the media, and debate about “alternative facts” should not distract from the sweeping series of executive orders (EOs) issued from the Oval Office, coupled with reorganizations of the National Security Council (NSC) and State Department. Slate writer Fred Kaplan characterizes the state of the foreign affairs agency as “mass confusion,” making it impossible for the State Department to take significant diplomatic actions. A dense fog of social media and White House statements often serves to obscure from view the vital events unfolding. And…

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Em casa onde não há organização todos gritam e ninguém tem razão.

Raquel Varela

Hoje tive duas experiências unidas por escassas horas, marcantes, porque antagónicas da vida em sociedade, embora no mesmo “local” – um banco. Uma de civilização, a outra de barbárie.
A primeira quando fui dar apoio ao piquete de greve dos jovens adultos, trabalhadores de call center do banco Barclays, contratados pela intermediária Teleperformance. Exigem viver com salários dignos. Há jovens que lutam – são estes. Perderam um dia do salário – mínimo – para dizer “não conseguimos viver com o salário mínimo”. Estava uma mãe com uma filha de 7 meses ao colo, explicou-me que era impossível, mesmo com 2 salários de 600 euros, pagar as contas. Organizaram-se, fizeram greve, uniram-se, dialogaram entre eles, reuniram-se, encontraram força uns nuns outros. Enquanto o Governo anda entretido a dar benesses aos patrões que mantêm o salário mínimo, eles vieram dizer que é um valor indigno. A administração – confirmei com os meus…

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