Falsa Licenciatura, democracia coxa

Raquel Varela

O grande argumento dos defensores do financiamento público dos partidos é a defesa da democracia. Na verdade de Trump a Che Guevara, de Putin a Rosa Luxemburgo não há ninguém que não tenha usado a palavra democracia para defender os seus interesses. Usei propositadamente dois impolutos nomes do melhor que o mundo produziu, Rosa e Che, para lembrar que é pura demagogia avançar com um “eu defendo isto porque defendo a democracia”, e achar que assim o seu argumento está terminado, porque a democracia é um tipo de regime político com muitos matizes. O que este financiamento defende é um tipo de democracia, entre muitos outros, no caso a democracia-representativa profissionalizada nos Parlamentos e no aparelho de Estado, sustentada com dinheiros públicos, com origem em pagamento de impostos que deveriam ser (só e em exclusivo) para serviços universais. Foi este tipo de financiamento que criou uma “classe política” desvinculada dos…

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Onde está o poder hoje no mundo?

Leonardo Boff

Há um fato que deve preocupar todos os cidadãos do mundo: o deslocamento do poder dos Estados-nações para o lado do poder de uns poucos conglomerados financeiros que atuam a nível planetário, cujo poder é maior que qualquer Estado tomado individualmente. Estes de fato detém o poder real em todas as suas ramificações: financeira, politica, tecnológica, comercial, mediática e militar.

Este fato vem sendo estudado e acompanhado por um dos nossos melhores economistas, professor da pós-graduação de PUC-SP com larga experiência internacional: Ladislau Dowbor. Dois estudos de sua autoria resumem vasta literatura sobre o tema:”A rede do poder corporativo mundial”de 4/01/2012 (http:/www.dowbor.org/wp) e o mais recente de setembro de 2016: http://dowbor.org/2016/09/ladislau-dowbor-o-caótico-poder-dos-gigantes-financeiros-novembro-2015-16p.html//: “Governança corporativa: o caótico poder dos gigantes financeiros.”

É difícil resumir a mole de informações que se apresentam assustadoras. Dowbor sintetiza:

“O poder mundial realmente existente está em grande parte na mão de gigantes que…

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A cada um o seu Nobel

Courelas

Shelter From The Storm from Andrew Lawandus on Vimeo.

Este meu dia foi de derrota, própria, coisas da vida, de a tentar ganhar, logo pela manhã. E de decisão garbosa, minha, réstia de energia, sei lá onde ainda a encontro, “às derrotas há que comemorá-las, às vitórias sofrê-las”, inventei-me. A meio da comemoração, esta mesmo que decidi, um amigo, ali a abancar nos já uísques, avisa do nobel de hoje. Festa logo, claro! A cada um o seu nobel, este meu, como de tantos nós. E, muito mais do que isso, muito mais do que o pobre e gasto nobel, a cada um o seu Dylan, esse labiríntico.

Este é o meu primeiro, não mais do que os outros que vieram, mas o meu primeiro Dylan, Hard Rain, o live em vinil comprado aos 14 anos, o ainda algo para mim incompreendido , como não naquela idade?, “shelter from…

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What is critical global health? — Vincanne Adams

Saúde Global

matMAT – The provocation of this collection of think pieces, and the ‘Critical Global Health: Evidence, Efficacy, Ethnography’ book series from which it draws, is the question: what is ‘critical global health’?To answer, I think one must begin with the prior question: what is ‘global health’? Before we turn to the possibility of critical engagement, that is, we might revisit the widely shared sentiment among many medical anthropologists who had devoted years to the work of ‘international health’ that ‘global health’ was itself a bit of a thief.

In the halls of anthropology departments and at our professional meetings, there was a palpable feeling of being hijacked. The long-term commitment to whatever it was many of us in anthropology had been doing for many decades (health development, international health, human rights health) was being pulled out from under us, like a rug from under some heavy furniture, as this new…

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