Não são os exames que fazem da escola um lugar segregado

Raquel Varela

Conhecem a velha piada do tipo que está 4 horas a comer e diz que ficou mal disposto porque «comeu a cereja que está em cima do bolo» no final? Somos hábeis a fazer dos pequenos problemas grandes para evitar olhar os grandes, os enormes, que temos pela frente. O exame aos alunos é uma análise, que avalia professores, alunos e sobretudo o Ministério da Educação e o sistema educativo. E o que dizem os nossos exames?

Que metade das crianças do país, metade, não atinge os mínimos a matemática e português, apesar de estarem na escola 8 horas por dia, repito, 8 horas! – horário de trabalho infantil – seguido de explicações e trabalhos para casa – é uma insanidade. Saem de casa às 8, voltam às 7, sempre numa sala de aula, de estudo, de apoio, de academia…, voltam exaustos, não brincaram, e não aprendem os mínimos…

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SEGURANÇA SOCIAL, TRABALHO E ESTADO EM PORTUGAL

Raquel Varela

A reconversão do mercado laboral em Portugal não se dá depois de 89 mas antes, entre 1981 e 1986 – começam aí alterações estruturais que envolveram a Concertação Social e a divisão entre pais (relações laborais protegidas) e filhos (precários). A flexibilização vem acompanhada não da diminuição do desemprego mas do aumento, a superpopulação relativa cresce, e a massa salarial geral-directa e indirecta – decresce. O Estado tem um papel de intervenção directa e não de desregulamentação ou mesmo de árbitro – o Estado regulamenta/promove a flexibilidade. O papel dos sindicatos é neste processo ambíguo – os pais «pagaram» em salário social a precariedade dos filhos, e é com base nesse exército de baixos salários que hoje se rebaixaram os salários de todos, dos «pais» também. A erosão da segurança social com estas relações laborais dá-se de forma crescente, directa a indirecta. Estado Social e Assistência Social são processos…

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Shock figures to reveal deadly toll of global air pollution, by John Vidal and Toby Helm

Saúde Global

The Guardian –  World Health Organisation describes new data as ‘health emergency’, with rising concern likely to influence decision over Heathrow expansion

The World Health Organisation has issued a stark new warning about deadly levels of pollution in many of the world’s biggest cities, claiming poor air quality is killing millions and threatening to overwhelm health services across the globe.

The latest data, taken from 2,000 cities, will show further deterioration in many places as populations have grown, leaving large areas under clouds of smog created by a mix of transport fumes, construction dust, toxic gases from power generation and wood burning in homes.

The toxic haze blanketing…

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Trabalhos Apresentados – Eixo 1 (Metodologias Participativas na Área da Saúde)

Simpósio Internacional Metodologias Participativas

A ANÁLISE DE DADOS NAS PESQUISAS PARTICIPATIVAS
Letícia Maria Renault de Barros

AS IMPLICAÇÕES ÉTICAS NA APLICAÇÃO DAS METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS: UMA ABORDAGEM DA PESQUISA CONVERGENTE-ASSISTENCIAL
Flávia Pacheco de Araújo GismontiJoyce Martins Arimatea Branco TavaresPriscilla Valladares Broca

 

A ANÁLISE DE DADOS NAS PESQUISAS PARTICIPATIVAS

Letícia Maria Renault de Barros

Introdução: Este trabalho pretende discutir um ponto bastante específico das Metodologias Participativas em pesquisa: o tema da análise. Tradicionalmente, a “análise de dados” é tida como fundamental na produção de conhecimento e uma tarefa quase exclusiva do pesquisador, que seria o responsável por interpretar os dados e deles extrair (ou fabricar) um entendimento. Quando tratamos de pesquisas baseadas nas Metodologias Participativas, no entanto, a responsabilidade pela produção de conhecimento é partilhada entre todos e o estatuto dos participantes da pesquisa não é mais o mesmo. Quais as consequências da participação na produção de conhecimento e na análise…

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Marcelo, o candidato do Bloco Central

Raquel Varela

E se Marcelo fosse candidato de uma parte do PS? Daquele pedaço que define aquilo que realmente conta num partido como o PS? Se o determinismo soviético apoiava-se nas grandes narrativas sem sujeitos/liberdades individuais, ao mesmo tempo que promovia um culto monárquico dos líderes, a comunicação social hoje concorre, com menos mau gosto que as estátuas de Estaline, é certo, para esta tese de que o indivíduo é tudo, a classe social nada, nem existe essa coisa «das classes sociais». Ignora classes sociais e os seus interesses, que não são só definidos pelo dinheiro, claro, isso é sociologia de pacotilha. Classes existem, e cada vez mais definidas com a massiva proletarização dos sectores médios que caíram vários andares na escala social. Classes distinguem-se pelos rendimentos (salário, renda, juro, lucro) mas também pelo território, cultura, espectativas, origem familiar, e outros factores. Ninguém concorre a presidente da República para se representar a…

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1989-2008

Raquel Varela

A social democracia hoje na Europa vive, paulatinamente, é certo – primeiro no sul, em breve no norte -, o que viveu o estalinismo na década de 90, é o começo da agonia destas formações. 2008 foi para a social democracia o 1989 dos PCs. Estamos a viver um tempo de ruptura histórica. Há um antes e depois da crise de 2008. A crise do bipartidarismo na Europa é o reflexo do estreitamento das políticas social-democratas, o PASOK eclipsou-se, em Espanha ainda não há governo.

É um erro historiográfico sério, mas comum, comparar conjunturas que não são comparáveis. O reformismo político da Alemanha de Weimar deu-se na pujança de acumulação pós 1919 – os loucos anos 20, ou seja, «ninguém» sabia onde gastar tanto dinheiro; o reformismo político francês de 36 suportou-se nas colónias e o reformismo do Estado Social do pós 1945 foi erguido com os trabalhadores europeus todos…

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