Prendam o morto

Raquel Varela

Há uma tendência geral na sociedade para colocar o Estado – na sua versão persecutória, jurídica, em suma, a força bruta, a resolver os problemas. É óbvio que tem que haver repressão, em algumas matérias, como é o caso da violência doméstica, mas a repressão por si, tema a que parece reduzido o feminismo nesse campo, é uma gota de água no oceano de sofrimento humano. Em grande parte das vezes – cujo número certo desconheço – a repressão chega a tempo de registar o óbito. E pior, não há quem reprimir. Soubemos esta semana que mais de metade dos homens que matam as mulheres a seguir suicidam-se. O que isto quer dizer? Que antes de lhes enviar a polícia, ao primeiro estalo, deviam ter enviado o psicanalista – a eles, às mães deles, ao patrão deles. Reduzir um tema desta complexidade a uma suposta sociedade machista e à…

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