Políticas nacionalistas

Raquel Varela

Há diferenças de fundo entre as políticas liberais e proteccionistas mas ambas são políticas nacionalistas. Há um erro científico em associar o liberalismo a internacionalismo, a política liberal de Merkel – expansão de exportações de capitais e máquinas para a periferia e acumulação de superavits – é tão nacionalista como a política de Trump, são políticas distintas a muitos níveis no quadro da economia, e com impactos profundos na política mas ambas são formas de nacionalismo. Na verdade a Alemanha acumulou com esta política de empréstimos um excedente que vai utilizar na próxima crise, quando todas as nações à sua volta entrarão em recessão profunda, com mais ou menos intensidade. Portugal vive a ilusão de anos bons porque há um ciclo expansivo mundial e os cortes reduziram-se (não devolveram, reduziram a intensidade da austeridade) mas isso está ancorado na fase de expansão do ciclo, quando vier a fase de depressão…

Ver o post original 105 mais palavras

AUTOMATION IN PORTS AND LABOUR RELATIONS IN XXI CENTURY

Raquel Varela

By Raquel Varela, labour historian IISH, UFF, UNL) , Henrique Silveira, mathematician (IST)

Abstract.

By Raquel Varela, labour historian (IISH, UFF, UNL) , Henrique Silveira, mathematician (IST)
In this part of the work we analyse mathematically the costs and benefits of automation in ports. In particular we analyse automation in cranes and its implications to labour, unemployment, and net financial benefits and losses for the operators. We studied the concept of efficiency viewed by operators and by port clients. We concluded that automation is in general not profitable for the operators. We discussed briefly the losses for the public of the automation process, measured in net loss of taxes collected by the states and by unemployment subsidies conceded to discharged dockers. Finally we discussed the losses in GNP generated by the processes of automation. This is a general study using averages to generate general results applicable to almost all cases, we…

Ver o post original 153 mais palavras

Os Corticeiros

Raquel Varela

Nunca me regozijei com a morte de ninguém. As vitórias e as derrotas políticas não se medem pelo fim inevitável, a que todos chegaremos. Mas na morte, seja de quem for, deve haver balanços históricos e todos os balanços são feitos de erros e acertos, papel pessoal e familiar – que no caso de Américo Amorim diz respeito só à sua família e próximos; e papel social – que me interessa muito, como historiadora do trabalho e diz respeito a todos nós, como cidadãos do país. A morte não nos iliba dos julgamentos históricos, nem é uma passaporte para a eternidade mítica.
Fiz parte da equipa que há uns anos produziu este documentário – Os Corticeiros. São milhares de homens e mulheres ao longo de décadas que trabalharam na fileira da cortiça. Da Companhia das Lezírias às fábricas de São João de Ver. A ver, porque onde há reis há…

Ver o post original 166 mais palavras

Índia

Raquel Varela

Há 1,3 mil milhões de pessoas na Índia. 457 milhões são trabalhadores, 422 milhões trabalham no sector informal. Só 34 milhões no sector formal. Da população 40% são analfabetos e a vasta maioria iletrados. No sector das tecnologias de informação não é permitida a sindicalização. No poder está um partido apoiado por uma milícia armada assumidamente de extrema direita…Um lugar perfeito para fazer yoga e encontrar o eu que há no nosso profundo bem dentro essencial.

Ver o post original

A Monocultura Florestal e as Bacias hidrográfias

Raquel Varela

Por Tiago Lucena

Muitas pessoas, mesmo no campo, acreditam que a água aparece por milagre divino, algures numa serra uma nascente misteriosa jorra água que gera um rio. Porém, a água tem uma explicação perfeitamente simples e óbvia, e quem a entende sabe que esta é plantada. Leu bem, a água é semeada e plantada.

Não é por acaso que os rios nascem em montanhas e serras. É a geografia natural desses vales que compõem as serras que geram e alimentam estes rios. Uma realidade cada vez mais comum no interior, sobretudo nos últimos anos, é a seca cada vez mais frequente dos ribeiros secundários e dos fios de água menos fortes. No entanto, quando observamos os trabalhos de pedra nesses vales reparamos que a própria construção – as chamadas levadas de água – evidenciam que muita água por ali passava. Mas hoje estes ribeiros secam durante o período mais…

Ver o post original 518 mais palavras

Saúde como mecanismo de inclusão – por Diana Amorim

Saúde Global

Em homenagem ao Dia Mundial do Refugiado (20 de junho) o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) publicou o relatório “Global Trends”, com a atualização das estatísticas relativas às pessoas deslocadas ao redor do mundo. Mantendo o crescimento dessa parcela da população, ainda que em ritmo menos intenso do que nos anos anteriores, os números impressionam: ao final de 2016 cerca de 65,6 milhões de pessoas eram consideradas casos de deslocamento forçado, dentre os quais 22,5 milhões de refugiados[1].
Entre os efeitos desse fenômeno estão os obstáculos à integração dos migrantes nos territórios de destino, em termos sociais, econômicos e culturais. Me atenho aqui aos aspectos sociais, com ênfase na assimilação dos migrantes pelos sistemas de saúde oferecidos a estes nos países que recebem os fluxos migratórios.
Afastando o mito de que a busca por tratamento médico é um dos principais motivos que levam aos deslocamentos de migrantes[2]…

Ver o post original 867 mais palavras

Aids: silêncio e invisibilidade

Saúde Global

Artigo escrito em 2015 pela pesquisadora Priscilla Soares para a coluna de Jean Willys na Carta Capital como parte da campanha #AgoraÉQueSãoElas. A coluna nos informa que o vírus da Aids foi apontado pela OMS em 2009 como a principal causa de morte entre mulheres em idade reprodutiva no mundo. De acordo com a ONU, a taxa de infecção entra mulheres jovens é duas vezes mais alta do que em homens da mesma faixa etária. Este cenário não apenas uma maior vulnerabilidade biológica das mulheres ao vírus, mas que esta maior taxa de infecção decorre também das implicações das desigualdades econômicas e de gênero.
 
Enviado por Isabela Brandi

Ver o post original

Securitização das alterações climáticas: um debate político com implicações para as forças armadas

Blogue ATS

Por Raul Boeno

Enquanto o debate académico se tem ocupado em discutir conceitos paralelos, complementares e adjacentes ao de segurança, o debate político tem-se dividido entre securitizar e dessecuritizar o tema alterações climáticas.

Na Europa, a NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), o maior bloco armado do planeta, semanas antes da realização da COP 21 (Paris/2015) emitiu a Resolution 427 on Climate Change and International Security, demonstrando uma nítida postura securitizadora sobre o tema.

Esta resolução orientou os seus membros para aumentar a frequência e a participação de consultas militares, no seio da NATO, em assuntos ligados às alterações climáticas. Reforçou, também, a importância do assunto a ser tratado em Paris, devido aos futuros reflexos nos interesses da aliança na Europa e no mundo. Sobre a NATO, cabe lembrar dois pontos: o bloco incluiu as alterações climáticas como uma ameaça na sua atual estratégia de segurança e não…

Ver o post original 852 mais palavras

Como os tribunais superiores lidam com a judicialização da saúde

Saúde Global

Artigo publicado no Nexo Jornal comenta sobre o número crescente de processos na justiça que visam obrigar o governo a conceder medicamentos, terapias, internações ou próteses para pacientes, prática conhecida como “judicialização da saúde”. Segundo o jornal, “as ações na Justiça já são tantas que os tribunais superiores estão sendo obrigados a se manifestar, a fim de criar padrões para as decisões tomadas nas instâncias inferiores”. O artigo apresenta um caso específico em análise no STJ, sobre o fornecimento de três tipos de colírios para uma mulher diagnosticada com glaucoma, que servirá como representativo do tema em decisões futuras. Na matéria é recordado que o direito à saúde está presente na Constituição brasileira e essa é a forma encontrada para garantir alguns tipos de tratamento. No entanto, críticos afirmam que as milhares decisões judiciais tem um efeito desestabilizador sobre o Estado brasileiro e acabam por beneficiar pessoas com mais poder…

Ver o post original 202 mais palavras

Segurança da Saúde Global será tratada em disciplina do Doutorado em Saúde Global e Sustentabilidade da USP

Saúde Global

Vista geral do prédio da Faculdade de Saúde Pública (FSP). Foto: Marcos Santos / USP Imagens

No segundo semestre, em outubro e novembro de 2017, será oferecida a disciplina Segurança Sanitária, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Global e Sustentabilidade da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.  Concebida pelos Professores Eliseu Waldman, Jose Leopoldo Antunes e Deisy Ventura, ela será ministrada no período de 2 de outubro a 7 de novembro, às segundas e terças-feiras, das 9h às 13h, na Sala Diógenes Augusto Certain (térreo do prédio histórico da FSP, Metrô Clínicas). Nessa edição, a responsável pela disciplina será a Profa. Deisy Ventura. Haverá a participação de especialistas convidados.

A disciplina abordará os seguintes conteúdos: a ascensão da Segurança na agenda da Saúde Global: estado da arte e agenda política internacional; o Regulamento Sanitário Internacional: balanço dos primeiros dez anos de vigência; do Ebola…

Ver o post original 83 mais palavras